No pré-aviso de greve divulgado esta segunda-feira, a direção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) acusa a administração do Global Media Group (GMG) de “incumprir, de forma reiterada, os mais elementares deveres e obrigações legais para com os seus trabalhadores e prestadores de serviço” e de pautar “a sua conduta por contradições entre o que anunciou fazer” quando tomou posse e “o que tem feito desde então”.
A estrutura sindical refere ainda que a administração do GMG “tem colocado em causa o nome dos títulos que detém, prejudicando a própria empresa e, com isso, os seus trabalhadores” e que apresenta “como única solução para os alegados problemas do grupo promover revogações de contratos de trabalho, despedir trabalhadores, incumprir prazos de pagamento, ao arrepio dos mais elementares princípios e normas laborais”.
De acordo com o SJ, a administração do GMG não tem “correspondido aos padrões que a gestão de um grupo de media exige” e utiliza os seus trabalhadores como “reféns na sua querela com o governo porque não teve o que esperava a propósito da alienação da sua quota na Lusa”.
Lembrando que muitos dos prestadores de serviço que trabalham para o grupo são obrigados a recorrer à solidariedade de jornalistas para poderem sobreviver, o SJ frisa que os trabalhadores exigem “o pagamento imediato das retribuições em falta, do subsídio de Natal e a remuneração devida aos prestadores de serviço, vulgo ‘recibos verdes’”. Bem como que a administração “ponha termo imediato a qualquer processo que determine a cessação de contratos de trabalho” e “coloque o seu foco no investimento e na melhoria das condições de trabalho de forma a projetar o crescimento do grupo e a propiciar condições para uma efetiva liberdade de informação de todos os cidadãos”.
O pré-aviso de greve abrange todos os trabalhadores da GMG, assim como todos os trabalhadores que, não tendo um vínculo contratual diretamente celebrado com o Grupo, aí prestem serviço ou se encontrem cedidos a terceiros.
No documento, são ainda contemplados “todos os jornalistas, independentemente do órgão de comunicação social para o qual prestem serviço, no período compreendido entre as 14 horas e as 15 horas do dia 10 de janeiro de 2024, para que possam expressar a sua solidariedade para com os colegas do GMG e, também, de modo a alertar o poder político e a sociedade civil para a situação do setor”.