Metade dos jornalistas em risco de burnout

17 de outubro 2023 - 12:29

“Sobrecarga laboral, conflitos éticos, degradação da qualidade de trabalho, dificuldade de conciliação entre a vida profissional e a vida familiar, salários baixos”. Esta é uma das sínteses de um inquérito às condições de vida e de trabalho dos jornalistas portugueses.

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Matthew Keef / Flickr
Matthew Keef / Flickr

Foram divulgadas esta segunda-feira as conclusões do “Inquérito Nacional às Condições de Vida e de Trabalho dos Jornalistas em Portugal” promovido pelo Sindicato dos Jornalistas, Casa da Imprensa e a Associação Portuguesa de Imprensa. Do inquérito a 866 profissionais, feito entre e maio de 2022, resulta que perto de metade indica níveis de esgotamento elevado e 18% chegam a níveis muito elevados ou extremamente elevados.

O retrato da profissão que se encontra nestas páginas é preocupante: “sobrecarga laboral, conflitos éticos, degradação da qualidade de trabalho, dificuldade de conciliação entre a vida profissional e a vida familiar, salários baixos”. A viverem situações de “precariedade laboral, insegurança material e risco estrutural” deparam-se com “uma tríade que coloca em causa a independência e a autonomia do trabalho, bem como a responsabilidade da profissão para com a sociedade civil”.

Ou seja, mais concretamente, os jornalistas portugueses ganham uma média de 1.225 euros líquidos por mês, metade diz que trabalha mais de 40 horas por semana e mais de dez horas semanais em períodos noturnos, 54% mostram-se “inquietos” quanto à precariedade, têm a média de filhos mais baixa (1,04) entre as profissões analisadas pelo Observatório para a Condições de Vida e Trabalho e 15,1% dos inquiridos queixa-se de assédio moral, 93% das vezes por parte das chefias ou patrões, 59% nunca teve qualquer formação complementar e um terço pensa que há um “desequilíbrio ruinoso” entre a vida pessoal e profissional.

Estes números, vinca o Sindicato dos Jornalistas em comunicado, mostram que os “jornalistas portugueses vivem em conflito constante com o tempo, as metas definidas e os resultados exigidos, nada coincidentes com a disponibilidade, a qualidade e a formação de que dispõem para a execução das suas tarefas”. Trata-se de “sintomas de uma atividade precária e desprofissionalizada, agravados pela pandemia global, pela guerra na Europa, pela recessão económica internacional e pelo surgimento crescente da inteligência artificial”.

Os dados indicam ainda que “quem recebe menos está mais desgastado, cenário que piora quando há ameaça de desemprego. Também o assédio moral contribui significativamente para a situação de desgaste, que se agrava com os conflitos com a hierarquia que é mais evidente nas mulheres”.