França

A diplomacia francesa admitiu que o primeiro-ministro israelita acusado de crimes de guerra beneficiará de imunidade caso visite o país. Associações apresentam queixa por cumplicidade com o genocídio contra responsáveis de dois grupos que bloquearam entrega de ajuda humanitária a Gaza.
 

Em Paris, agradeceu-se a Gisèle Pelicot pela sua coragem e reivindicou-se uma “lei-quadro integral” que inverta o ciclo de promessas não cumpridas sobre violência machista. Em Roma, 150.000 pessoas juntaram-se para “desarmar o patriarcado”, criticando o Governo de Meloni.

Estes enfrentam problemas graves como pobreza, desemprego e profundas desigualdades sociais. Mas a principal resposta da França parece centrar-se na repressão, em vez de promover o diálogo e soluções para responder às necessidades dos cidadãos.

Lea Gugelmann

O caso do desvio de fundos do Parlamento Europeu pode afastar Marine Le Pen das próximas presidenciais. O tribunal ouviu na quarta-feira as penas pedidas pela acusação do processo à ex-líder da Frente Nacional e outros dirigentes da extrema-direita francesa.

Este julgamento deixa milhares de mulheres em suspenso em todo o mundo porque há algo nele que ressoa e ecoa a nossa própria história. Sabemos que que houve muitos mais violadores, pelo menos 83. E sabemos que há tudo o resto: as outras vítimas, outras violências, outros violadores, tudo aquilo de que normalmente não se fala.

Aurélie-Anne Thos

Os votos da União Nacional foram decisivos para que o Governo ficasse no poder a dois dias de apresentar um orçamento já anunciado como de austeridade. A esquerda francesa critica que “toda a direita francesa” prefere o apoio da extrema-direita “à menor concessão ao progresso social”.

Anúncio da composição do governo francês confirma-o como o mais à direita do macronismo. Alguns dos novos ministros manifestaram-se com a extrema-direita contra os direitos LGBT.

Emmanuel Macron nomeou Michel Barnier como primeiro-ministro de França, após garantir um acordo com Marine Le Pen. A criação de um governo dependente da sua bênção é mais um passo na marcha da extrema-direita em direção ao poder.

David Broder

Mais de cem mil pessoas por toda a França contestaram a nomeação de Michel Barnier para primeiro-ministro. Comunistas, verdes e insubmissos juntaram-se às manifestações, mas Partido Socialista ficou de fora.

A Frente Polisario diz que se trata de uma violação do direito internacional. A Argélia retirou o embaixador em Paris.

Os eventos planetários são terreno propício à implementação de dispositivos repressivos. Nos Jogos Olímpicos de Paris, aplica-se uma lei de segurança que atribui mais poderes às empresas privadas de segurança e “testa-se” a videovigilância algorítmica.

Chiara Masina

A região de Poitou-Charentes, no sudoeste da França, acolheu na semana passada as mobilizações convocadas por Les Soulèvements de la Terre, Bassines Non Merci e a Confédération Paysanne para exigir uma moratória aos mega-reservatórios.

Críticas à cultura “woke”, ódio às drag queens, racismo contra a cantora franco-maliana Aya Nakamura foram algumas das respostas ao evento. À esquerda saudou-se terem-se sublinhado os valores da sororidade, paridade e inclusão.

Empresa explora há anos furos de água para os quais não tem licença sem pagar impostos e sem ser responsabilizada pelas consequências ambientais e sociais.

Pessoas em situação de sem abrigo expulsas, trabalhadores sem documentos explorados, aumento de preços das habitações, destruição de locais significativos do ponto de vista ambiental e aumento dos dispositivos de controlo social. Os Jogos de Paris arrancam já com uma lista grande de “perdedores”.

O acordo entre os diferentes partidos da Nova Frente Popular tardou duas semanas e vários nomes foram sendo propostos e rejeitados. Mas há finalmente consenso à volta da ativista em defesa dos serviços públicos.

Para o Sindicato Francês dos Artistas Intérpretes, as condições de trabalho de muitos dos bailarinos presentes no evento são “vergonhosas, sem qualquer subsídio ou conhecimento do montante da transferência dos direitos conexos”.

Um governo demissionário aprovou um decreto que corta no repouso semanal para os trabalhadores que fazem as vindimas. Sindicatos e esquerda lembram que o ano passado morreram seis trabalhadores devido ao calor, que os horários e o tipo de trabalho são penosos e pedem medidas de adaptação às alterações climáticas.

O presidente francês quebrou o silêncio para dizer que ninguém ganhou as eleições e que devem existir “compromissos”. Os ministros dão a conhecer a sua inquietação por permanecerem num governo sem legitimidade. Mélenchon e o resto da esquerda apelam ao respeito pelo voto popular.

O presidente segurou o primeiro-ministro e ganhou tempo enquanto a esquerda discute um futuro governo. Mas o campo liberal mostra divisões. Enquanto ganha força a tese de uma coligação com a direita para se tentar apresentar como primeira força no Parlamento, vários deputados ameaçam bater com a porta.