Crise do BES

Esta semana o Banco de Portugal comunicou à CMVM que a dívida de 548,3 milhões de euros do BES a um fundo criado pela Goldman Sachs não entra nas contas do Novo Banco. Os norte-americanos dizem-se enganados e prometem ir a tribunal.

Álvaro Sobrinho veio à comissão de inquérito dizer que o dinheiro emprestado pelo BES ao BES Angola nunca saiu, afinal, de Portugal. Por Mariana Mortágua

Mariana Mortágua

Na Comissão de Inquérito ao BES, Ricardo Salgado apontou culpa à crise, ao Banco de Portugal e à troika, por não ter ajudado mais os bancos portugueses.

Quando o Banco de Portugal ponderava retirar a idoneidade de Salgado, acabou por recuar ante o parecer assinado pelo atual presidente do Conselho de Jurisdição do PSD. Calvão da Silva elogiou o “espírito de entreajuda e solidariedade" que levou um construtor civil a transferir 14 milhões de euros para uma offshore do banqueiro.

Quatro meses após o colapso do Grupo Espírito Santo, o Ministério Público anunciou ter feito 41 buscas esta quinta-feira a várias pessoas e entidades. Passos Coelho já admite recapitalizar a Caixa se o buraco do BES for muito grande.

O Banco Espírito Santo usou uma sociedade financeira na Suíça para vender títulos aos seus clientes que serviam para financiar o GES. As perdas registadas para o banco ascendem a 1.249 milhões de euros. Mariana Mortágua diz que este é um assunto na agenda da Comissão de Inquérito.

O Banco de Portugal e o Governo viram esta terça-feira desmentidas as suas versões sobre factos ocorridos nos últimos dias do BES: a data do aviso a Bruxelas e a responsabilidade pelo modelo da resolução bancária.

No dia em que as autoridades do Luxemburgo começaram a investigar as empresas do GES, os administradores do grupo ligaram ao governante entretanto indigitado para a pasta da Ciência na Comissão Europeia. Carlos Moedas ofereceu-se logo para abrir portas junto do ministro da Justiça luxemburguês.

Seis meses antes de tranquilizar os potenciais investidores no aumento de capital do BES, Carlos Costa já tinha conhecimento que as contas dos Espírito Santo ocultavam dívida e sobrevalorizavam ativos.

Dos 30 milhões que a ESCOM terá recebido em comissões pelo negócio entre o governo e o consórcio alemão, 5 milhões foram distribuídos em 2004 pelos diferentes ramos da família Espírito Santo.

António Horta Osório acredita que não faltem compradores para o Novo Banco e que o objetivo da venda será "minimizar a perda, porque vai haver uma perda".

Catarina Martins diz que as declarações de Passos Coelho são “irresponsáveis” e que é cada vez mais urgente integrar o Novo Banco na Caixa Geral de Depósitos e assim aproveitar o dinheiro dos contribuintes para projetos que criem emprego.

A administração do Banco Espírito Santo fazia gala em anunciar cortes e congelamentos dos salários dos altos quadros do banco por causa da crise. Ao mesmo tempo, outra empresa do grupo pagava-lhes a diferença em avenças.

Para Catarina Martins, a substituição da administração do Novo Banco é a prova da “irresponsabilidade” do poder político e financeiro na gestão de mais de 4 mil milhões de euros do erário público. Para o Bloco, “se o Estado pagou, deve controlar” o Novo Banco.

Reagindo à notícia dada por “fontes políticas” ao semanário Expresso sobre a substituição de Vítor Bento à frente do Novo Banco, a Comissão de Trabalhadores diz não estar surpreendida. E já antevê “o fim do banco”, tudo graças à estratégia seguida pelo Governo e o Banco de Portugal.

Num artigo publicado esta quinta feira, o Finantial Times (FT) avança que documentos a que o jornal teve acesso revelam que “o Banco Espírito Santo emprestou secretamente dinheiro, durante dois anos, ao seu acionista maioritário, levantando dúvidas sobre a supervisão do Banco de Portugal a um credor que acabou por sofrer um dos maiores colapsos financeiros da Europa”.

No programa “Tabu” de sexta-feira na SIC Notícias, Francisco Louçã referiu que, nas declarações proferidas a 21 de julho, o presidente da República revelou que, pelo menos, tinha “conhecimento de que o processo que poderia decorrer das dificuldades já registadas iria implicar perdas significativas com grandes efeitos económicos”.

Catarina Martins afirma que o Estado “não pode limpar um banco sistémico e devolvê-lo, limpinho, a banqueiros privados que provaram não ter vocação para gerir bancos”. Considerando que esta intervenção deve ter retorno para os contribuintes, a coordenadora do Bloco defende o controlo público sobre todo o sistema bancário.  

A entidade de vigilância dos mercados financeiros suíços abriu um inquérito ao papel do Banque Privée Espírito Santo, liderado por José Manuel Espírito Santo, na venda de dívida do GES.

Os líderes parlamentares deram luz verde ao inquérito sobre o modelo escolhido pelo Governo para resgatar o banco da família Espírito Santo. Pedro Filipe Soares espera que a maioria não assuma o papel de “branqueador da ação do Governo” como fez nos inquéritos aos swaps e ao negócio dos Estaleiros de Viana.