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Patrão do presidente do Novo Banco diz que "vai haver perda" para contribuintes

António Horta Osório acredita que não faltem compradores para o Novo Banco e que o objetivo da venda será "minimizar a perda, porque vai haver uma perda".
Foto Paulete Matos.

O presidente do Lloyds, o banco inglês que concedeu uma licença a Stock da Cunha para vir seis meses a Portugal vender o Novo Banco, diz ao Jornal de Negócios que o principal objetivo da venda "é minimizar a perda para reduzir o impacto nos outros bancos e nos contribuintes". Ao contrário do que garantiram Governo e Banco de Portugal, os contribuintes serão mesmo chamados a tapar o buraco do antigo banco da família Espírito Santo.

Para o banqueiro à frente do Lloyds, os conflitos de interesse não existem porque Stock da Cunha "tem sempre a opção de voltar para o Lloyds" e assim pôr termo ao "enorme sacrifício pessoal" que estará a fazer enquanto liquidatário do banco resgatado com o dinheiro dos contribuintes.

O antigo líder do Santander Portugal diz que o sucessor de Vítor Bento "tem condições para vender o Novo Banco sem conflitos de interesse", apesar de Stock da Cunha surgir rodeado por antigos quadros do Santander, do tempo de Horta Osório à frente do banco. Para o banqueiro à frente do Lloyds, os conflitos de interesse não existem porque Stock da Cunha "tem sempre a opção de voltar para o Lloyds" e assim pôr termo ao "enorme sacrifício pessoal" que estará a fazer enquanto liquidatário do banco resgatado com o dinheiro dos contribuintes.

Por seu lado, o semanário Sol noticia que a saída de Vítor Bento se ficou a dever ao provável falhanço do Novo Banco nos testes de stress promovidos pelo Banco Central Europeu. Segundo o semanário, o ex-presidente do Novo Banco - que entretanto pediu a reforma no Banco de Portugal - pretendia uma nova injeção de capital no banco que lhe permitisse ultrapassar os testes no final do ano.

A demissão de Vítor Bento provocou também a saída da diretora de comunicação, nomeada em finais de agosto. Segundo o semanário Expresso, Maria Antónia Saldanha, que acompanhou Bento na passagem da SIBS para o BES, deverá dar o lugar à agência de comunicação de Francisco Lucena, que saiu da Portugal Telecom durante o verão.

Esta semana, o Novo Banco juntou  uma nova batalha jurídica às que já está envolvido. O Espírito Santo Finantial Group (ESFG), sob gestão controlada no Luxemburgo, vai reclamar para si as receitas da venda da seguradora Tranquilidade, entendendo que a dona da empresa é uma subsidiária do grupo e não o Novo Banco.
A venda da Tranquilidade ao fundo norte-americano Apollo Global Management é vista como um mau negócio pelo ESFG, que lança novas suspeitas sobre a operação, revelando que a seguradora suíça Zurich se tinha comprometido por carta a fazer uma proposta superior à da Apollo. No comunicado entregue à CMVM, o Novo Banco afirmou que a venda da Tranquilidade “corresponde à melhor proposta recebida”.

Na Suíça, as autoridades de supervisão anunciaram esta sexta-feira que deram início ao processo de insolvência do Banque Privée Espírito Santo. O processo de liquidação em curso desde julho reavaliou os ativos e detetou a sua insuficiência e a incapacidade de recapitalização por parte dos acionistas, também eles insolventes. A prioridade ao administrador de insolvência será garantir os depósitos até 100 mil francos suíços, indicou a autoridade de supervisão FINMA. Segundo a agência AWP, os ativos do banco são suficientes para cobrir este reembolso.

A incapacidade do ramo suíço dos Espírito Santo cumprir as suas obrigações financeiras teve consequências no Dubai, onde as autoridades impuseram a proibição do ES Bankers vender ativos ou receber e pagar depósitos, logo após as notícias da falha de pagamentos do Banque Privée a esta entidade. A par disso, as autoridades retiraram a licença de Ricardo Salgado para gerir instituições financeiras no Dubai, uma vez que no entender da DFSA, o ex-líder do BES “já não está em condições e não é uma pessoa com capacidades" para exercer cargos desse tipo.

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