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BES: congelamento salarial foi contornado com avenças paralelas

A administração do Banco Espírito Santo fazia gala em anunciar cortes e congelamentos dos salários dos altos quadros do banco por causa da crise. Ao mesmo tempo, outra empresa do grupo pagava-lhes a diferença em avenças.
Esquema montado pela administração de Salgado contornava congelamento de salários dos altos quadros do BES. Foto Miguel A. Lopes/Lusa

O semanário Expresso publica este sábado a notícia de que uma empresa de trabalho temporário detida pelo BES e pela Eurofin - uma empresa atualmente sob a mira das autoridades suíças por envolvimento nas fraudes do GES - pagava a altos quadros do BES quantias mensais em forma de avenças. Segundo o semanário, esta era a forma da administração de Ricardo Salgado contornar o anunciado congelamento salarial por causa da crise financeira.

Desta forma, Salgado e os restantes banqueiros do BES puderam mostrar-se em público solidários com as dificuldades dos portugueses em tempo de crise, anunciando o congelamento de salários, e ao mesmo tempo receber por baixo da mesa os aumentos salariais com a ajuda da Multipessoal.

Assim, graças às avenças pagas pela empresa Multipessoal, os altos quadros do BES viram os seus salários aumentados, sem que isso fosse dado a transparecer nas folhas salariais. O esquema era do conhecimento de todos os envolvidos, incluindo do atual administrador João Mello Franco. Já depois da saída de Salgado, este ex-diretor do BES terá manifestado a Vítor Bento estar desconfortável com a situação, de que beneficiou entre março de 2013 e julho de 2014, e acabou por ser promovido para administrador na curta gestão de Vítor Bento.

A proposta terá sido aprovada pelo presidente do banco, Ricardo Salgado e pelo administrador dos Recursos Humanos, António Souto. Desta forma, Salgado e os restantes banqueiros do BES puderam mostrar-se em público solidários com as dificuldades dos portugueses em tempo de crise, anunciando o congelamento de salários, e ao mesmo tempo receber por baixo da mesa os aumentos salariais com a ajuda da Multipessoal.

Apesar da evidente falta de ética desta prática, é pouco provável que venha a ser punida pela justiça, uma vez que os rendimentos extra dos quadros do BES terão sido tributados, pelo que tudo indica não se tratar de um caso de fuga ao fisco.

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