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Família Espírito Santo ficou com 5 milhões no negócio dos submarinos

Dos 30 milhões que a ESCOM terá recebido em comissões pelo negócio entre o governo e o consórcio alemão, 5 milhões foram distribuídos em 2004 pelos diferentes ramos da família Espírito Santo.
Ricardo Salgado insistiu para que todos os representantes dos ramos da família Espírito Santo assinassem uma carta que justificaria terem recebido os 5 milhões da Escom por outros serviços, que não comissões dos submarinos. Foto Miguel A. Lopes/Lusa

O jornal i publica esta quarta-feira uma investigação que teve acesso a relatos da reunião de 7 de novembro de 2013 do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo, quando já surgiam rumores acerca da situação financeira precária do grupo. Neste órgão têm assento os cinco ramos da família e um dos temas levantados na reunião foi o das comissões recebidas no negócio dos submarinos adquiridos pelo governo de Durão Barroso e Paulo Portas.

O dinheiro da ESCOM ficou primeiro depositado num fundo no Brasil, gerido por uma sociedade registada nas Bahamas, e foi transferido através da Afrexport, uma sociedade detida pela Escom BVI e registada nas Ilhas Virgens Britânicas.

Segundo o i, terá sido Ricardo Salgado a levantar o assunto, invocando a necessidade de existir uma carta assinada pelos cinco ramos da família que legitimasse o valor transferido em 2004 pela Escom, dado que já corria a investigação que obrigou ao levantamento do sigilo bancário das contas na Suíça onde parte dessas comissões tinham sido depositadas. O dinheiro da Escom ficou primeiro depositado num fundo no Brasil, gerido por uma sociedade registada nas Bahamas, e foi transferido através da Afrexport, uma sociedade detida pela Escom BVI e registada nas Ilhas Virgens Britânicas.

Ainda segundo os mesmos relatos publicados no i, Salgado estava preocupado com o que aconteceria depois do arquivamento do processo judicial, quando fosse tornado público que pelo menos 3 membros do Conselho Superior - titulares das três contas visadas pela justiça - teriam ganho com o negócio dos submarinos. Por isso, a existência de uma carta a justificar o recebimento dessa verba por serviços prestados à ESCOM, assinada pelos cinco ramos da família, iria justificar a operação aos olhos do público. Foi essa a estratégia de defesa dos três membros da família apanhados pela justiça suíça, negando qualquer ligação do dinheiro a comissões dos submarinos e justificando a receita com "tarefas realizadas no âmbito do Conselho Superior do GES".

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