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Suspeitas de fraude e branqueamento na origem das buscas ao BES

Quatro meses após o colapso do Grupo Espírito Santo, o Ministério Público anunciou ter feito 41 buscas esta quinta-feira a várias pessoas e entidades. Passos Coelho já admite recapitalizar a Caixa se o buraco do BES for muito grande.
Justiça fez buscas relacionadas com os crimes que terão levado ao colapso do BES. Quatro meses depois do fim do BES, resta saber se ainda encontraram alguma prova dos crimes. Foto Paulete Matos

“Nas investigações, relacionadas com o denominado universo Espírito Santo, estão em causa suspeitas dos crimes de burla qualificada, abuso de confiança, falsificação de documentos, branqueamento de capitais e fraude fiscal”, diz o comunicado divulgado no site da Procuradoria-Geral da República.

Foram ao todo “34 buscas domiciliárias, uma a advogado e seis buscas a entidades relacionadas com o exercício da actividade financeira”, revela a PGR, enunciando os grandes meios postos à disposição da operação decorrida esta quinta-feira: 14 magistrados, 2 peritos e mais de 200 elementos da Judiciária, Unidade Nacional de Combate à Corrupção e Autoridade Tributária. Para além das sedes do Novo Banco e do BES "banco mau", também as residências de Ricardo Salgado e Morais Pires terão sido visitadas pelos investigadores, segundo relatou a imprensa ao longo do dia de quinta-feira.

O facto de as buscas terem decorrido quatro meses após a saída dos Espírito Santo do BES, e de entretanto a imprensa ter revelado alguns dos assuntos que estão na mira dos investigadores, levanta suspeitas sobre a sua real eficácia.

No entanto, a investigação terá arrancado só após a queixa-crime apresentada pelo Banco de Portugal, na sequência da auditoria forense que revela algumas das práticas que podem acabar em condenação. É esta auditoria que o governador do Banco de Portugal quer manter longe da vista dos deputadis da Comissão Parlamentar de Inquérito ao colapso e à intervenção do Estado BES.

Passos admite recapitalização da Caixa por causa da intervenção no BES

Em entrevista à RTP, o primeiro-ministro admitiu poder vir a recapitalizar a Caixa Geral de Depósitos, caso a venda do Novo Banco dê um prejuízo elevado. Para Passos Coelho, "é muito pouco provável" que os contribuintes venham a sofrer perdas por causa da opção da resolução do banco. No entanto, a operação de venda do Noco Banco “pode vir a ter um custo para a Caixa, e pode ter para o contribuinte por via indirecta. Significa que a Caixa não terá resultados tão bons ou então que o Estado pode ter de fazer recapitalização na Caixa se o custo for muito elevado”, garantiu o primeiro-ministro.

A resolução do BES foi preparada pelo Governo e o Banco de Portugal, com o conhecimento da Comissão Europeia, enquanto as ações do banco se negociavam em bolsa. Logo após a resolução, Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e Carlos Costa garantiram que a solução não teria custos para os contribuintes, apesar do dinheiro do fundo de resolução ter sido injetado a partir dos cofres públicos. Resta saber o montante do prejuízo da operação e em que medida os membros do fundo - os bancos concorrentes da entidade que venha a comprar o Novo Banco - estarão dispostos ou capazes de pagar a sua parte.

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