A direita ganhou e a extrema-direita está mais forte. Isso abre portas a retrocessos na igualdade, nos direitos laborais, nos serviços públicos, sabemo-lo por experiência e pela literatura. Mas estes recuos não são fatalismos que estamos condenados a aceitar, podem ser travados.
Se houvesse um círculo nacional de compensação, à semelhança do que temos nos Açores, PS, AD e CH perderiam alguns deputados, e o Bloco de Esquerda, por exemplo, passava de 5 para 10 (trata-se do dobro dos deputados).
A iniciativa, do Bloco, propor reuniões com os vários partidos de esquerda após as eleições foi muito importante. Aberta a tão bem guardada caixa de Pandora da unidade de esquerda, quem a encerrar ou deixar esquecida poderá pagar um preço elevado.
Agora que é evidente que a direita governará o país é preciso, antes de mais, ter a informação na dose correcta e ganhar consciência do que poderá vir a acontecer. Pistas, no mínimo, existem.
Mais de 70% da população do Algarve vive do turismo, restauração e atividades conexas. O modelo de desenvolvimento económico regional assenta na monocultura do turismo de sol e praia, da responsabilidade de PS e PSD, com base no trabalho sazonal e precário e na especulação imobiliária.
Em 2018, após meses de luta dos enfermeiros, o governo cedia parcialmente às reivindicações da classe. Porém, o ministério dividiu para reinar: concedeu um subsídio mensal, mas apenas para alguns especialistas. Dentro dos excluídos estiveram cerca de 60 mulheres recém mães.
É mais uma “paralisação pacífica” dos estafetas, em reação à compressão dos valores pagos pelas aplicações digitais. É uma greve? Na substância, sim, é uma greve. Uma greve de quem não pode, formalmente, fazê-la.
Neste momento impõe-se impedir a todo o custo a continuação do massacre de palestinianos, estabelecer negociações para a libertação dos reféns, e evitar que o conflito alastre sob que pretexto for, não permitindo a construção de mais colonatos em território palestino.
O tempo é de disputa de hegemonia na sociedade e no espaço público e de testemunho programático próprio de cada força política. Mas é também, urgentemente, de diálogo e de articulação das forças da oposição à esquerda, que devem começar desde já.
Foram 48 anos de ditadura e, no ano em que se assinalam 50 anos do 25 de Abril, há um deputado fascista por cada ano do regime que querem trazer de volta. Ainda assim, não iremos baixar os braços.