O caminho percorrido pela geringonça é ainda muito modesto. Mas já chegou para indicar um sentido para a política de esquerda, feito de direitos e auto-determinação, dois pilares fundamentais de qualquer democracia.
Vender livros e atacar as esquerdas são dois objetivos nos quais JRS está tão empenhado que, pelo caminho, tem como vítimas principais o jornalismo, a inteligência e a própria cultura democrática.
A “liberdade de escolha” é o canto da sereia de conservadores e neoliberais, como estratégia para desestruturar a escola pública e promover a progressiva privatização do ensino.
O “Movimento em Defesa da Escola Ponto” (ponto quê? o que é que este ponto quer dizer?) teve uma audiência com o Presidente da República e emitiu depois um comunicado. Tudo normal, não fora o comunicado reproduzir, com o detalhe das aspas, algumas palavras atribuídas ao Presidente.
A manutenção de milhares de pessoas num limbo jurídico de quase-clandestinidade que se arrasta durante anos tem-se revelado como um mecanismo de nivelamento por baixo de direitos básicos no mundo do trabalho.
A alternativa a termos mais médicos, os médicos de que o país precisa, é continuarmos a ter os médicos com um pé no público e outro no privado, quando não os dois no privado.
O Governo da República, no estrito cumprimento do seu programa de governo, tem que alterar o Regime Jurídico do Trabalho Portuário, garantindo a reposição da contratação colectiva de trabalho, também no sector da estiva.
Não me custa nada condenar a falta de democracia na Venezuela. Mas não me peçam que confunda o que não é confundível, ou que compreenda quem se indigna com Caracas mas tolera Luanda.
A bonomia cooperante deu lugar à ameaça sorridente: estabilidade até às autárquicas. Esta ameaça presidencial junta-se assim à chantagem das instituições europeias como facto político relevante.