AECs: PS e PSD chumbam proposta de contratos de trabalho

23 de julho 2010 - 18:19

O parlamento teve, esta quinta-feira, a oportunidade de pressionar o Governo a assegurar contratos de trabalho para os profissionais das Actividades de Enriquecimento Curricular (AECs), mas o projecto de resolução do Bloco não passou.

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Foto de uma acção em frente ao Ministério da Educação, a 11 de Março de 2010, realizada pelos Professores das AECs da Grande Lisboa, em conjunto com o SPGL e os Precários Inflexíveis.

No último plenário da sessão legislativa, o projecto de resolução apresentado pelo Bloco de Esquerda que propunha o fim da generalização dos falsos recibos verdes para os cerca de 15 mil profissionais que, em todo o país, asseguram a "Escola a tempo inteiro" sem nenhumas condições laborais, foi chumbado pelos votos contra do PS e PDS, contando com a abstenção do CDS e os votos favoráveis do Bloco, PCP e Verdes.

O projecto de resolução do Bloco recomendava ao Governo a adopção de um mecanismo que obrigaria as autarquias à apresentação de contratos de trabalho, aquando da transferência de verbas para assegurar o funcionamento das AECs.

O movimento de professores das AECs organizado na zona da Grande Lisboa afirma em comunicado que se perdeu uma oportunidade que “não resolveria todos os problemas e injustiças” com os quais se deparam, mas, pelo menos, “podia ser o início do reconhecimento dos nossos direitos”, acrescentam. 

Segundo a opinião deste professores, “continuará a arbitrariedade e o escandaloso incumprimento, à vista de toda a gente, do Decreto-Lei 212/2009, que, apesar de injusto e insuficiente, prevê a celebração de contratos de trabalho”, lê-se no comunicado. O próximo ano lectivo começará sem alterações para as vidas e condições de trabalho destes profissionais, e sem alternativas à vista também.

De Norte a Sul do país, os profissionais que asseguram as AEC's estão sujeitos a diversas ilegalidades e atropelos aos seus direitos, desde a imposição de falsos recibos verdes, à não remuneração nas pausas lectivas e por todo o trabalho efectivamente desempenhado, aos horários arbitrários e a uma “total incerteza quanto ao futuro”, como referem. 

Em Lisboa e no Porto foram realizadas algumas acções e protestos destes professores, iniciativas que pontuaram o passado ano lectivo. Mas os movimentos prometem que não deixarão de se mobilizar “contra todas as ilegalidades” que giram em torno das AECs. 

Ler também Professores das AEC's "exigem respeito" e Professores das AEC's: Ministério da Educação reconhece ilegalidade.