Opinião

Carlos Carujo

"Isto só lá ia com um Salazar em cada esquina. Melhor, com um ‘exterminador implacável' em cada esquina." O masoquismo apolítico pede sangue e está pronto para soluções de austeridade, para grandes sacrifícios nacionais, desde que sejam para endireitar o país à força. Desejo de submissão à parte, e esse factor não será nunca menor numa conversa deste tipo, o único PECado que se encontra sob este ponto de vista no plano do governo para combater o eterno défice tuga é apenas vir do símbolo acabado do "político" no mau sentido da palavra e não de um herói imaginado fora da política.

Heitor de Sousa

O Programa de Estabilidade e Crescimento agrava todas as grandes desigualdades existentes na sociedade portuguesa, promove a exclusão social e distribui os sacrifícios pelos suspeitos do costume: os trabalhadores.

Nelson Peralta

A Live Earth, criada por Al Gore e pelo produtor e empresário dos media Kevin Wall, organizou a propósito do dia da água mais um evento à escala mundial. Em várias cidades de todo o planeta, para além de concertos e actividades educacionais, as comunidades locais foram envolvidas em caminhadas de 6 km, a distância média que muitas mulheres e crianças fazem todos os dias para obter água potável.

Immanuel Wallerstein

Todos estão a discutir o que a revista Fortune chama de "turbilhão grego" e a apontar o dedo para alguém. De quem é a culpa? O governo grego é acusado de fazer batota e de deixar os gregos viverem para além das suas posses. A União Europeia é acusada de ter criado uma estrutura impossível para o euro.

Tiago Gillot

Respondendo a um apelo da família e amigos, centenas de pessoas estiveram este domingo em frente à estação de comboios de Benfica, em Lisboa, para homenagear Nuno Rodrigues. MC Snake, o rapper de Chelas morto a tiro por um agente da PSP, é mais um trágico exemplo duma cultura de abuso e arbitrariedade que ainda domina a corporação policial. Um exemplo que teve uma resposta exemplar: nesta homenagem exigiu-se justiça e, sobretudo, paz.

Ricardo Gomes

Cuba é uma imensa dor administrada cirurgicamente desde os laboratórios da tortura imperialista, desde Miami, desde os escritórios da CIA. Cuba é uma dor que alimenta os desejos sádicos destes déspotas e feiticeiros da Nova Ordem Mundial. E as mais recentes manifestações e protestos pelos "presos políticos" são boas notícias para os vizinhos de Cuba que há anos teimam cuspir esta espinha da sua garganta. E isso dói-me.

Miguel Portas

O PEC saiu ainda pior do que se esperava. Para o que pudesse sobrar de socialismo no PS, foi um canto de cisne.

Gustavo Sugahara

A última actualização do PEC apresentada pelo governo garante a estabilidade das desigualdades, da pobreza, e do alto nível de desemprego, mais ainda, corre o sério risco de fazer com que cresçam.

Hugo Evangelista

Qual é a fronteira entre a cultura e a crueldade?

Quanta dignidade tem um espectáculo que inclui actores que são forçados a participar?

Francisco Louçã

O Programa de Estabilidade e Crescimento (2010-2013) representa a estratégia do governo e das políticas liberais em todos os domínios da vida social: redução de salários e subsídio de desemprego, desemprego estrutural acima de 10%, privatização extensiva dos bens públicos, agravamento da desigualdade fiscal, abandono do combate à pobreza e degradação dos serviços sociais. O Bloco de Esquerda tem agora e nos próximos anos um único objectivo: derrotar esta política para conduzir uma alternativa.

João Ricardo Vasconcelos

De facto, é uma chatice mas as contas públicas chegaram a um ponto em que todos vamos ter de nos sacrificar um pouco, todos vamos ter de apertar o cinto. É chato que tal venha a acontecer, mas não existe alternativa. Vai ser necessário emagrecer as despesas do Estado, vai ser necessário reduzir algumas prestações sociais, vai ser preciso aumentar alguns impostos e limitar as deduções fiscais. Terá de se cortar no investimento público e não há como escapar a algumas privatizações. São medidas inconvenientes, mas que têm de ser tomadas e infelizmente cada português vai ter de contribuir para tal esforço. Os tempos assim o exigem e o Estado tem de ser gerido como uma casa: em tempos de aperto, tem de se cortar, cortar e cortar. Que remédio, não é?

A estratégia foi definida. Para reduzir o défice vale tudo – para o prego vão as empresas estratégicas do Estado, os trabalhadores, os pensionistas e os funcionários públicos. Vale tudo menos irritar o sector financeiro e o grande capital. Será que este Governo ainda acredita que quem nos colocou na crise nos vai tirar dela?