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O negócio do inglês

Se o Ministério dá 100 para contratar um professor, este só recebe 50 e o restante vai para o bolso dos beneficiários do negócio. Os professores recebem salários baixíssimos (como é normal nas empresas de trabalho temporário) mas o Estado paga bem às empresas que os contratam.

Usar o dinheiro do Estado em favor de lucros privados, eis o traço fundamental da governação do rotativismo PS/PSD/PP. Esta política vai desde os milhões de subsídios públicos, isenções fiscais ou privatizações escandalosas em favor dos grandes grupos económicos, até aos mais variados pequenos negócios resultantes da atribuição de serviços públicos a clientelas sempre dependentes dos dinheiros do Estado.

Um exemplo desta situação é o das aulas de inglês para o 1º ciclo, que com grande alarido mediático foram lançadas por Sócrates.

O esquema é simples. Em vez de serem os agrupamentos de escolas a contratar e a orientar pedagogicamente os professores, privilegiou-se o negócio. Assim o Ministério da Educação atribui verbas a autarquias ou a escolas, não para contratarem professores, mas para as entregarem a empresas privadas. Estas depois contratam professores e são responsáveis pelas aulas, sem estarem sujeitas à orientação pedagógica das escolas, o que se reflecte inevitavelmente na qualidade do ensino.

Se o Ministério dá 100 para contratar um professor, este só recebe 50 e o restante vai para o bolso dos beneficiários do negócio. Os professores recebem salários baixíssimos (como é normal nas empresas de trabalho temporário) mas o Estado paga bem às empresas que os contratam.

As verbas que são negadas para o funcionamento das escolas públicas, surgem sem problemas quando se trata de beneficiar negócios privados.

Quando se trata de favorecer os negócios dos amigos, não há qualquer problema com o "deficit"... Os milhões saltam das contas públicas para os negócios privados sem qualquer problema.

Depois corta-se no salário ou despede-se funcionários públicos e está o problema resolvido.

Afinal a preocupação fundamental dos governantes do rotativismo PS/PSD/PP é fazerem currículo para quando saírem do Governo garantirem um lugar num Conselho de Administração de um qualquer Belmiro...

Sobre o/a autor(a)

Professor e historiador.
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