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Racismo no discurso político e integração de migrantes preocupa Obra Católica de Migrações

OCPM repudiou narrativa racista e xenófoba que procura “um bode expiatório e revela alguma ignorância” e defendeu mudanças estruturais na integração de migrantes e refugiados. Organismo da Conferência Episcopal Portuguesa assinalou ainda que não só os ucranianos necessitam de apoio.
Foto de Ana Mendes.

A presidente da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM) apontou que a maior preocupação deste organismo da Conferência Episcopal Portuguesa com os migrantes e refugiados é a integração.

“Tivemos aqui um movimento muito bonito a nível do acolhimento e vimos que temos uma sociedade civil muito disponível para o acolhimento, nomeadamente o acolhimento de emergência, mas a questão da integração, de percebermos que mudanças é que temos de fazer, estruturais, para que a integração ou a inclusão seja bem-sucedida, eu creio que é a maior preocupação”, frisou Eugénia Quaresma em declarações à agência Lusa.

A representante da OCPM assinalou ainda que não só os ucranianos necessitam de apoio: “Aprendemos muito agora com os deslocados da Ucrânia, é verdade, mas o trabalho da Igreja lembra que existem outras nacionalidades que estão entre nós e que também precisamos de cuidar”.

Eugénia Quaresma salientou algumas questões que precisam de ser resolvidas e que, afetando todas as pessoas que vivem no país, têm um impacto particular no que respeita aos migrantes e refugiados. Em causa está, nomeadamente, o acesso à habitação.

“Foi uma das nossas maiores dificuldades e que precisa de ser trabalhada a nível nacional. É difícil encontrar alojamento, o alojamento está caro, há uma exploração que não se entende e que precisa de ser tratada pelos nossos governantes, para melhorar para todos”, explicou.

A OCPM está também preocupada com “situações de exploração laboral em Portugal”.

“É uma questão que preocupa e que vai ocupando alguns dos nossos grupos, nomeadamente a Comissão de Apoio à Vítima de Tráfico de Pessoas. Há congregações religiosas que também despertaram para esta realidade e procuram trabalhar – isto na zona Oeste - com os empregadores para enfrentar um bocadinho esta situação da exploração, dos intermediários”, detalhou.

Racismo no discurso político é "muito grave"

Sobre a prevalência de xenofobia e o racismo no discurso político, Eugénia Quaresma vincou que esta é uma situação “muito grave”, mas afirmou estar convicta de que a grande maioria da população portuguesa pode contribuir para o inverso.

“É muito grave e ainda bem que temos também políticos atentos e que fazem frente, em sede própria, porque há aí uma narrativa que procura um bode expiatório e revela alguma ignorância ou procura fazer generalizações de uma ou outra história que conheceu”, avançou a responsável.

Eugénia Quaresma realçou que “a grande maioria das pessoas” que vem estudar ou trabalhar para Portugal não quer “viver às custas” de ninguém, procura, isso sim, melhores condições de vida para si e para a sua família, e algumas delas “esperam e sonham também desenvolver o potencial do país de origem”.

A presidente da OCPM lamentou que, existindo agora um partido na Assembleia da República que adota uma narrativa racista e xenófoba, ela tenha “maior expressão”.

“Agora, acredito que a grande maioria da população portuguesa pode contribuir para o inverso, para mostrar como é importante construirmos uma sociedade com os migrantes e com os refugiados e não contra os migrantes e os refugiados, sem esquecer os autóctones, sem esquecer os nossos emigrantes”, assinalou.

Para Eugénia Quaresma, esta narrativa conquistou espaço porque dá voz à insatisfação “de coisas que não estão concretizadas”, daí a importância, a nível político, de se promover “o desenvolvimento do país, sem deixar ninguém para trás”.

“Se nós tivermos a consciência que as migrações fazem parte da História da humanidade e se soubermos aproveitar a riqueza, todo o potencial que trazem, seja espiritual, seja cultural, e aproveitarmos isto para construirmos um mundo novo e mais justo, saímos todos a ganhar”, acrescentou.

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