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Zuzana Čaputová eleita Presidente da Eslováquia

A advogada e ativista ambiental Zuzana Čaputová, candidata do partido social-liberal Progresívne Slovensko (PS) foi eleita presidente da Eslováquia, ao derrotar o vice-presidente da Comissão Europeia Maroš Šefčovič. Por Jorge Martins
Zuzana Čaputová foi eleita presidente da Eslováquia – Foto de Slavomír Frešo/wikimedia
Zuzana Čaputová foi eleita presidente da Eslováquia – Foto de Slavomír Frešo/wikimedia

A advogada e ativista ambiental Zuzana Čaputová, candidata do partido social-liberal Progresívne Slovensko (PS), formação extraparlamentar criada em finais de 2017, foi eleita presidente da Eslováquia, ao vencer, na 2ª volta das presidenciais, realizada no passado sábado, o diplomata e vice-presidente da Comissão Europeia Maroš Šefčovič, formalmente independente, mas apoiada pelo partido governamental, o social-democrata e populista Smer-SD.

A vencedora, que será a primeira mulher a ocupar o cargo, obteve 58,4% dos votos válidos, contra 41,6% do seu opositor. Já os votos brancos e nulos somaram 2,1% dos votantes. A participação eleitoral foi ainda mais baixa que na 1ª volta, quedando-se por uns escassos 41,8% dos eleitores inscritos.

O resultado não surpreende, já que, na 1ª volta, disputada no passado dia 16, com a presença de 15 candidatos, Čaputová fora a mais votada, com 40,6% dos sufrágios válidos, enquanto o seu adversário foi segundo com apenas 18,7%. Na altura, a taxa de participação fora de 48,7%.

Čaputová venceu em sete das oito regiões administrativas em que se divide o país. O seu triunfo foi esmagador em Bratislava (onde conseguiu 73,7% dos votos) e na região vizinha de Trnava (com 65,8%), de onde a nova presidente é natural. Venceu, ainda, claramente, nas regiões meridionais, onde vive grande parte da minoria húngara, que soma cerca de 11% da população do país: Nitra, Banská Bystrica e Košice. Nas regiões nortenhas, mais rurais e esmagadoramente habitadas por populações etnicamente eslovacas, obteve vantagens tangenciais em Trenčín e Žilina, tendo perdido, também por pequena margem, na de Prešov, no Nordeste, a mais pobre do país (49%, contra 51% para Šefčovič). Em geral, a vencedora obteve os seus melhores resultados nas regiões urbanas e nas áreas do Oeste, mais ricas.

A nova presidente é liberal em questões económicas, defendendo um maior apoio às empresas, embora afirme querer um maior investimento na educação e na saúde; pró-ocidental em política externa, sendo abertamente pró-UE e pró-NATO e crítica de Trump e Putin, não reconhecendo a anexação da Crimeia pela Rússia; tolerante em matéria de costumes, sendo favorável à atual lei do aborto, que o legaliza, e à consagração de uniões civis para os casais LGBTI; em matéria de imigração, refugiados e minorias, é igualmente tolerante, defendendo uma maior abertura, sendo crítica das posições do “grupo de Visegrado”, de que a Eslováquia faz parte, e adepta da promoção dos direitos das minorias nacionais (em especial, a húngara) e dos ciganos; defensora do ambiente, defendendo um desenvolvimento sustentável e uma política de combate às alterações climáticas.

A co-habitação com o executivo poderá não ser fácil, apesar de os poderes presidenciais serem relativamente reduzidos, podendo vetar leis, mas só podendo demitir o governo ou dissolver o Parlamento em casos excecionais de crise política e nunca nos primeiros ou últimos seis meses do seu mandato. O governo, uma estranha coligação entre o social-democrata Direção-Social-Democracia (Smer-SD), o Partido Nacional Eslovaco (SNS), da direita nacionalista, e o Ponte (Most-Híd), partido moderado que representa os interesses da minoria húngara, é liderado por Peter Pellegrini. Este, vice-primeiro-ministro até março de 2018, ascendeu à chefia do gabinete ministerial na sequência da demissão do líder do Smer-SD, Robert Fico, protagonista de uma governação considerada autoritária, após suspeitas de cumplicidade no assassinato de um jornalista que investigava a corrupção no seio do seu governo. Na verdade, apesar de integrar o grupo dos socialistas europeus, o partido é uma força populista, que se coliga preferencialmente com o SNS. Daí que seja previsível que este não goze dos favores da nova presidente, cujo partido acusa essas duas forças políticas de antidemocráticas, a par com o nazi-fascista Partido Popular - Nossa Eslováquia (L’SNS), de Marian Kotleba, que foi quarto na 1ª volta, com 10,4% dos votos, e com o Somos Família (Sme Rodina), da direita populista, anti-imigração, próximo da extrema-direita.

Artigo de Jorge Martins para esquerda.net

Sobre o/a autor(a)

Professor. Mestre em Geografia Humana e pós-graduado em Ciência Política. Membro da coordenadora concelhia de Coimbra do Bloco de Esquerda
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