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Presidenciais na Eslováquia: Čaputová e Šefčovič na segunda volta

Na 1ª volta das eleições presidenciais, que decorreu no passado sábado, apuraram-se para a 2ª volta a centrista Zuzana Čaputová e o independente pró-governamental Maroš Šefčovič.
A centrista Zuzana Čaputová e o independente pró-governamental Maroš Šefčovič disputam a segunda volta das eleições presidenciais na Eslováquia
A centrista Zuzana Čaputová e o independente pró-governamental Maroš Šefčovič disputam a segunda volta das eleições presidenciais na Eslováquia

A Eslováquia possui um regime semipresidencial, mas com forte pendor parlamentar. O presidente é eleito para um mandato de cinco anos, podendo ser reeleito apenas uma vez. Entre os seus principais poderes, cabe a nomeação do primeiro-ministro, de acordo com os resultados eleitorais, o poder de vetar leis oriundas do Parlamento (que só pode levantar o veto com o voto favorável de 2/3 dos deputados) e a nomeação de três juízes do Tribunal Constitucional e do Supremo Tribunal e do procurador-geral da República.

Numa bizarra (e muito contestada) disposição constitucional, para que um candidato possa ser eleito à 1ª volta tem de obter mais de metade dos votos válidos da totalidade dos eleitores inscritos (e não dos votantes), o que torna praticamente impossível evitar a realização de uma 2ª volta entre os dois mais votados. No ato eleitoral do passado sábado, a participação quedou-se por uns escassos 48,7%.

O atual presidente, Andrej Kiska, um independente de orientação centrista, decidiu não se recandidatar, apesar de ser o político menos impopular do país.

Zuzana Čaputová é a candidata do partido social-liberal Progresívne Slovensko (PS), formação extraparlamentar criada em finais de 2017

Zuzana Čaputová é a candidata do partido social-liberal Progresívne Slovensko (PS), formação extraparlamentar criada em finais de 2017. É advogada e distinguiu-se como ativista ambiental, ao impedir a construção de um aterro sanitário na sua cidade de Pezinok, nos arredores de Bratislava. Defende a manutenção da atual lei do aborto, apesar da oposição da Igreja Católica local, e defensora da promoção sociocultural dos ciganos. É pró-ocidental, sendo favorável à participação do país na UE e na NATO. Na 1ª volta, obteve 40,7% dos votos válidos.

Maroš Šefčovič é um dos vice-presidentes da Comissão Europeia desde 2009, primeiro com Durão Barroso e depois com Jean-Claude Juncker, tendo atuamente a cargo a pasta da energia

Por seu turno, Maroš Šefčovič, um diplomata, é um dos vice-presidentes da Comissão Europeia desde 2009, primeiro com Durão Barroso e depois com Jean-Claude Juncker, tendo atuamente a cargo a pasta da energia. Apesar de formalmente independente, foi o candidato do partido governamental Smer-SD, que, apesar de integrar o grupo dos socialistas europeus, é uma força populista, que se coliga frequentemente com o Partido Nacional Eslovaco (SNS), de extrema-direita, e cuja governação é apodada de autoritária. O seu líder, o ex-primeiro-ministro, Robert Fico, foi obrigado a demitir-se após o assassinato de um jornalista que investigava a corrupção no seio do seu governo. Na 1ª volta, apesar de ser o segundo mais votado, ficou-se pelos 18,7%.

Concorreram, ainda, mais 13 candidatos.

Em terceiro lugar, ficou Štefan Harabin, antigo ministro da Justiça e juiz do Supremo Tribunal, apoiado pelo pequeno e extraparlamentar partido da direita católica conservadora KDŽP, uma cisão do democrata-cristão KDH, que conseguiu 14,3% dos sufrágios.

A quarta posição foi para Marian Kotleba, líder do partido nazi-fascista L’SNS, que logrou 10,4% dos votos.

František Mikloško, candidato apoiado por várias formações de centro-direita (os democrata-cristãos do KDH e da KÚ e os conservadores KDS e OL‘aNO), não foi além do quinto posto, ficando-se pelos 5,7% dos boletins.

No sexto lugar, ficou Béla Bugár, líder do Most-Híd, partido moderado, que representa os interesses da minoria húngara, com 3,8% dos votos.

Seguiram-se Milan Krajniak, vice-presidente do Sme Rodina, partido da direita populista, anti-imigração, com 2,8% e Eduard Chmelár, professor universitário e pacifista, com 2,7%.

Os restantes sete candidatos não ultrapassaram 0,5% dos votos.

A 2ª volta decorrerá no próximo dia 30, perfilando-se Čaputová como a grande favorita a tornar-se a primeira mulher presidente do país, independente desde 1993.

Artigo de Jorge Martins para esquerda.net

Sobre o/a autor(a)

Professor. Mestre em Geografia Humana e pós-graduado em Ciência Política. Membro da coordenadora concelhia de Coimbra do Bloco de Esquerda
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