Zero apela à suspensão da importação de gás natural da Rússia

28 de março 2022 - 21:10

A associação ambiental salienta que Portugal importou mais de 1,5 mil milhões de euros de gás natural e de produtos petrolíferos da Rússia e enviou uma carta ao primeiro-ministro a apelar à suspensão dessas importações enquanto durar a invasão da Ucrânia.

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Em 2021, Portugal importou cerca de 1.600 milhões de euros de gás natural e produtos petrolíferos da Rússia - Foto da Zero
Em 2021, Portugal importou cerca de 1.600 milhões de euros de gás natural e produtos petrolíferos da Rússia - Foto da Zero

A associação ambiental Zero divulgou comunicado em que dá conta de que enviou uma carta ao primeiro-ministro António Costa, apelando a que Portugal suspenda a importação de gás natural e produtos petrolíferos da Rússia, enquanto durar a invasão da Ucrânia.

A Zero justifica a tomada de posição com a trágica situação vivida na Ucrânia, devido à “invasão e devastação” provocada pela Rússia, e com a importância da exportação de produtos petrolíferos russos para o financiamento da guerra.

A Zero critica o agravamento da dependência de Portugal do gás natural da Rússia, que considera “inaceitável". Segundo a associação ambiental, em 2018 a importação de gás natural russo era inexistente, mas passou para 3,2% em 2019, para 8% em 2020 e para 14,6% em 2021, no valor de cerca de 1.600 milhões de euros, de acordo com a plataforma Europe Beyond Coal Campaign (https://beyond-coal.eu/russian-fossil-fuel-tracker/). A organização refere também que além de gás natural têm sido importados outros produtos petrolíferos, o que tem continuado a acontecer, mesmo depois de iniciada a invasão da Ucrânia.

A associação ambiental sublinha que o “discurso de solidariedade para com a Ucrânia tem de ser concretizado através de ações consequentes” e considera que a suspensão da importação de produtos petrolíferos pode ser uma “ferramenta fundamental para ajudar a parar esta invasão”.

Esta crise “vem, pelos piores motivos, confirmar a urgência em Portugal adotar políticas energéticas sustentáveis através de fortes investimentos na eficiência energética e nas energias renováveis”, conclui a Zero.

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