Como era de esperar, o progresso em direção a qualquer tipo de paz, justa ou não, esbarrou contra um muro no Kremlin. No centro do impasse está a questão do território.
A sociedade civil ucraniana, em particular a ala progressista, intensifica os seus pedidos de responsabilização — em tempo de guerra, contra um governo que invoca a unidade nacional para suprimir as críticas.
A fraqueza da Ucrânia e da Europa ficou novamente exposta com o anunciado plano de Trump. E a crise interna no poder em Kiev, com o círculo próximo de Zelensky enredado em casos de corrupção, não está a ajudar.
Notificações para abandonar o país e para pagar até sete mil euros de propinas até ao fim do mês estão a chegar a estudantes que beneficiam da proteção temporária criada depois do início da invasão da Ucrânia. O Bloco questionou o Governo sobre esta situação.
O presidente dos EUA dizia em setembro que a Ucrânia iria recuperar todo o território. Agora afirma num dia que quer congelar as linhas de combate, noutro que quer oferecer todo o Donbass a Putin. Os dois chefes de Estado têm encontro marcado em Budapeste. Zelensky não foi convidado.
Reunião de segunda-feira apenas confirmou que Putin continua a ganhar tempo, que Trump não está disposto a pressioná-lo a sério e que a Ucrânia e a Europa não têm influência eficaz sobre nenhum dos lados.
Houve importantes manifestações na Ucrânia durante os últimos dias de julho contra a adoção de uma lei que reduzia a independência dos organismos anti-corrupção, colocando-os sob o controlo do Procurador-Geral nomeado diretamente pelo gabinete do presidente Zelensky. E obrigaram-no a retroceder.
Enquanto os países iniciam nova ronda negocial, internamente aprovaram leis que são postas em causa. Na Rússia várias pessoas foram presas quando exigiam um país sem censura. Na Ucrânia, milhares saíram às ruas depois do presidente ter promulgado lei que coloca em causa independência de agências de investigação de corrupção.
Estima-se que 1,6 milhões de crianças tenham sido afetadas, 20% da população infantil do país. Algumas são adotadas à força e outras, raptadas, enfrentam agora uma dura realidade de doutrinação, abusos e até treino militar forçado.
Apesar dos embargos anunciados pela Europa e pelos EUA, as vendas de combustíveis fósseis russos para estes países continuam fortes e a financiar a máquina de guerra que permite a invasão da Ucrânia.
O historiador e professor na Universidade da Califórnia, Berkeley, uma das vozes mais importantes da esquerda russa, fala sobre a lógica imperialista que rege as conversações entre EUA e Rússia sobre o fim da guerra na Ucrânia, os objetivos de ambas as partes e a posição da esquerda russa face a um potencial acordo de paz.
Delegações da Ucrânia e EUA chegaram a um acordo na Arábia Saudita que permite restabelecer a assistência militar e desbloquear o negócio das terras raras. Moscovo avisa Washington que os verdadeiros acordos estão a ser escritos na frente de batalha.
O presidente dos EUA garante estar próximo de conseguir 500 mil milhões de dólares em recursos minerais da Ucrânia como suposta retribuição pelo apoio militar. Ao mesmo tempo, o presidente russo contrapõe que tem “significativamente mais recursos deste tipo do que a Ucrânia” e declara-se aberto para um negócio que inclui territórios ocupados.
Mariana Mortágua sublinhou que há sinais de esperança na campanha corajosa e no resultado eleitoral da esquerda alemã. No terceiro aniversário da invasão da Ucrânia, o Bloco defende que a UE deve ter autonomia estratégica e defender negociações sob a égide da ONU.
Um estudo mostra que em 2024 a UE gastou 21,9 mil milhões de euros em combustíveis fósseis russos. Em termos de ajudas europeias à Ucrânia estas são em média menos de 0,1% do PIB por ano. Muito menos do que o que gastaram em guerras anteriores.
Apesar da guerra, vários movimentos de base lutam pelo interesse público e pela necessidade urgente de reformas justas. Tais iniciativas ressoam na sociedade porque visam melhorar vidas e cuidar do futuro.
O novo fascismo nega abertamente o direito dos povos à autodeterminação. Os governos liberais que restam na Europa estão atónitos. Os povos oprimidos já não podem tirar partido da divergência entre grandes potências que existia no passado mas têm agora de travar as lutas de resistência em condições mais difíceis do que nunca.
Presidente dos Estados Unidos da América tinha prometido acabar com a guerra "no espaço de um dia". Agora, naturaliza a manutenção do conflito procurando uma vantagem económica para o seu país.
Chegados de manhã, Kiev é uma capital europeia como qualquer outra. A cidade funciona, não há avisos de ataques aéreos, a linha da frente parece distante. A app só pinta a vermelho algumas das zonas mais a leste. Perceberemos que à noite é diferente e que nem todos os dias são assim.
O grupo político da esquerda ucraniana reuniu em conferência no início do mês. Aqui publicamos a resolução adotada na qual se sublinha que o liberalismo do governo de Zelensky tornou a economia de guerra do país numa caricatura, exacerbando o luxo dos oligarcas entre a pobreza generalizada.