Ucrânia

O grupo político da esquerda ucraniana reuniu em conferência no início do mês. Aqui publicamos a resolução adotada na qual se sublinha que o liberalismo do governo de Zelensky tornou a economia de guerra do país numa caricatura, exacerbando o luxo dos oligarcas entre a pobreza generalizada.

Antes de sofrer duas pesadas derrotas eleitorais nas regionais da semana passada no leste do país, o chanceler alemão já tinha admitido que a posição do executivo sobre a guerra na Ucrânia o estava a penalizar nas urnas.

Em várias aldeias perto da linha da frente, alvo dos bombardeamentos e sem eletricidade há mais de um ano, os habitantes organizam-se como podem para responderem às necessidades coletivas.

Oleksandr Kitral

Holger Stark, o editor-adjunto do semanário alemão Die Zeit que investigou nos últimos anos a sabotagem dos gasodutos entre a Rússia e a Alemanha, resume nesta entrevista ao Democracy Now! as conclusões da investigação que aponta o dedo ao comando militar da Ucrânia. 

Ilya Budraitskis foi, como os seus camaradas, perseguido pelo regime de Putin. É membro do Movimento Socialista Russo e opositor da guerra na Ucrânia e de Vladimir Putin. Em entrevista exclusiva, falou ao Esquerda sobre a perseguição política e sobre o modelo de ideologia que o governo russo tem vindo a adotar para justificar o imperialismo e a invasão da Ucrânia.

Daniel Moura Borges

“As pessoas dizem-me que sou palestiniano e respondo: sim, sou; as pessoas dizem-me que sou ucraniano e replico: sim, sou. Mas, acima de tudo, sou um ser humano, pelo que olho para toda a gente a partir desta posição universal.” Entrevista com o ativista palestino-ucraniano Adib Shaheen por Valerii Petrov, Daria Selyshcheva.

Daria Saburova escreveu um fascinante estudo de campo (realizado durante três meses) sobre a cidade mineira de Kryvih Rih, centrado no trabalho voluntário de resistência das mulheres da classe trabalhadora da cidade.

Os beneficiários da economia de guerra estão otimistas sobre a economia e apoiam a "operação militar especial". Mas outros segmentos da sociedade russa sofrem economicamente o que os pode levar a tornarem-se mais críticos da guerra. Por Volodymyr Ishchenko, Ilya Matveev e Oleg Zhuravlev.

No mesmo dia em que se conhece mais uma onda de prisões de ativistas e líderes religiosos tártaros na Crimeia e que dois altos comandantes russos têm mandatos de detenção do TPI, o Guardian analisa como o ocupante russo age na região ucraniana de Zaporíjia.

Desde o início da invasão da Ucrânia, as exportações portuguesas para países como o Quirguistão, o Usbequistão, o Cazaquistão e a Arménia dispararam. Um estudo agora divulgado reforça a conclusão de que não se trata de uma atração recente desta região pelos produtos nacionais mas de um contornar das sanções à Rússia.

Mariana Mortágua vincou que o caminho de paz para a Ucrânia terá de respeitar "autodeterminação do seu povo e do seu território". Fazendo referência ao genocídio em curso na Palestina, a líder bloquista, que deixou elogios a António Guterres, enfatizou que também tem de haver respeito pela autodeterminação do Estado Palestiniano.

Se ajuda ocidental se mantiver e exportações russas continuarem, ambos os lados continuam com dinheiro para a guerra. Na Ucrânia, prejuízos acumulam-se e multinacionais ganham terreno. Zelensky quer mercado livre mas tem de viver em economia de guerra. Putin quer economia mais controlada pelo Estado com grandes empresas coordenadas com seus comparsas. Por Michael Roberts.

Como os trabalhadores veem a situação no país? O que podem fazer no meio da guerra? O que esperar no futuro próximo? Três sindicatos independentes e um ativista ucraniano deportado para a Rússia respondem a estas questões. Vitaliy Dudin explica o ataque aos direitos dos trabalhadores do novo código laboral de Zelensky.

O sindicato estudantil Prima Diia faz um balanço de 2023 e das lutas estudantis sob a guerra, conta-nos sobre o seu zine e apresenta o seu manifesto.

Em entrevista a Patrick Le Tréhondat, Oksana Dutchak defende que uma visão socialmente justa das políticas em tempo de guerra e da reconstrução pós-guerra é um pré-requisito para canalizar as lutas individuais pela sobrevivência para um esforço consciente de luta comunitária e social.

Em entrevista a Federico Fuentes, a militante de esquerda Viktoriia Pihul fala sobre como a sociedade ucraniana encara a guerra, as questões da mobilização e das alterações nos comandos militares, as mobilizações contra o neoliberalismo do Governo e a solidariedade internacional.

A ideologia do Estado russo e o imaginário dos seus círculos dirigentes são elementos essenciais a ter em conta se quisermos compreender a lógica da invasão russa da Ucrânia e se estivermos à procura de soluções possíveis para pôr fim a este conflito e garantir uma paz duradoura na região. Por Hanna Perekhoda.

Putin estabilizou a sociedade recorrendo à repressão e ideologia neo-fascista. Reprimiu quase todos os dissidentes de esquerda, especialmente ativistas anti-guerra, e tentou obter a aprovação do público apoiando-se no nacionalismo étnico russo e diabolizando todos os grupos que o ameaçam. Por Ilya Budraitskis.

A fadiga do tempo roubou a empatia e a atenção inicial. A guerra na Ucrânia foi normalizada mas os números de vítimas e de estragos acumulam-se. Neste dossier, damos voz à esquerda e aos movimentos sociais ucranianos sobre o que se passa no seu país. Dossier organizado por Carlos Carujo.

Considerado próximo do Kremlin, o partido romeno da família política de André Ventura defende o fim do apoio a Kiev. E tal como a Rússia também quer anexar partes do atual território da Ucrânia.