O grupo Vodafone anunciou o maior despedimento da história da empresa, com a saída de onze mil trabalhadores prevista para ocorrer ao longo dos próximos três anos. A decisão foi justificada pela nova CEO do grupo, Margherita Della Valle, com a necessidade de “simplificar” a estrutura da companhia, pois "o nosso desempenho não tem sido suficientemente bom”, disse à Reuters. A empresa tem ao seu serviço cerca de cem mil trabalhadores em todo o mundo, dos quais 1.400 em Portugal.
O anúncio dos despedimentos surge na altura em que foram conhecidos os lucros da empresa ao longo dos últimos 12 meses até março de 2023: 12,33 mil milhões de euros, aponta o Expresso. Números que são o quádruplo do lucro atingido nos 12 meses anteriores, explicados no entanto pela venda do negócio de torres de telecomunicações Vantage Towers.
No que diz respeito à receitas operacionais, cresceram 0,3% para 45,7 mil milhões de euros e o resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) baixou 1,3% para os 14,66 mil milhões. A empresa britânica aponta dificuldades no seu maior mercado, o alemão, mas também em Espanha e Itália, país onde já despediu este ano cerca de mil trabalhadores.
Neste cenário, segundo a Reuters, não está afastada a hipótese de venda de alguma destas operações, com alguns dos principais acionistas da Vodafone - a Etilasat dos Emirados, o bilionário francês Xavier Niel e a anglo-holandesa Liberty Global - a posicionarem-se como potenciais interessados.