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A vitória do BNG e o despertar do nacionalismo galego

No passado domingo, o Bloco Nacionalista Galego alcançou um excelente resultado, obtendo 23,8%, elegendo 19 deputados e tornando-se a segunda força da nação. Ana Pontón, líder do BNG desde 2014, é a grande figura do despertar do nacionalismo galego. Por Diego Garcia.
Ana Pontón, líder do Bloque Nacionalista Galego (BNG)
Ana Pontón, líder do Bloque Nacionalista Galego (BNG)

O Bloco Nacionalista Galego (BNG) obteve nas últimas eleições galegas, de 12 de julho, o melhor resultado de sempre, elegendo 19 deputados para o Parlamento da Galiza e colocando-se como a segunda força do país. Ana Pontón, candidata à presidência e líder do BNG desde 2014, é a grande artífice do despertar do nacionalismo galego, progressista e integrador.

Ana Pontón, líder desde 2014

Ana Pontón Mondelo nasceu em 1977, em Sarria na província de Lugo, e nas recentes eleições, liderando o BNG, levou o partido a ter a maior representação da sua história no Parlamento da Galiza.

Licenciada em Ciências Políticas na Universidade de Santiago de Compostela, feminista afirmada, integra a União do Povo Galego (UPG), a corrente interna maioritária e marxista-leninista do BNG. Aderiu à Galiza Nova, organização juvenil do BNG aos 16 anos e com 24 já era deputada no Parlamento da Galiza, em 2001. Já nesta altura ganhava protagonismo pelos seus combates contra Manuel Fraga, do PP, que governou a Galiza durante décadas. Desde muito cedo começou a destacar-se politicamente pela sua coerência, pelos seus apelos à essência da Galiza e pela sua naturalidade livre de dogmatismos prejudiciais. Tem vincado o BNG como um partido mais moderno e transversal à sociedade galega.

Ana Pontón assumiu a liderança do BNG em 2014, quando os “bloqueiros” estavam a passar um dos seus piores momentos políticos, depois da saída do histórico Xosé Manuel Beiras para fundar a Anova e com a perda de eleitores para a onda do 15M, do Podemos e das Mareas. O BNG tinha perdido o seu tradicional espaço na esquerda nacionalista.

Nas eleições galegas de 2016, já como líder, Ana Pontón conseguiu salvar o grupo parlamentar do BNG, quando as previsões não eram nada boas, acabando por obter 6 deputados. Ainda em 2016, a formação Podemos/En Marea foi a segunda força mais votada no Parlamento galego. Nas eleições de domingo passado, Unidas Podemos e Anova/En Marea não obtiveram qualquer mandato e alguns e algumas militantes voltaram ao BNG, como aconteceu, por exemplo, com Alexandra Fernández, que saiu do BNG para o Anova/En Marea em 2012 e regressou agora, tendo sido eleita para o Parlamento galego.

Renovação

Durante a passada legislatura, 2016-2020, a receita para esta ascensão foi a renovação de dirigentes, como aconteceu com as eleições para o Parlamento da Galiza, em 2016, elegendo jovens como Olalla Rodil, por Lugo, e Noa Presas, por Ourense. O BNG renovou igualmente o discurso do partido numa versão mais moderna e transversal à sociedade galega. E, nos últimos 4 anos, foram a verdadeira oposição, também graças à contínua omissão de Unidas Podemos/En Marea e do Partido Socialista de Galiza (PS de G).

Outros fatores que levaram o BNG ao sucesso foi o voto jovem, já que é o partido com mais força nos menores de 25 anos, e a opção estratégica de priorizar as lutas sociais em vez do discurso independentista, sendo que continua a tê-lo. A maior parte dos jovens, para além de se identificar com o discurso soberanista do BNG, também se identificam com a narrativa feminista e ambientalista, mas também com a intervenção do BNG na habitação ou na defesa dos trabalhadores.

De novo no parlamento de Madrid

Lembramos ainda que, já em 2019, o BNG obteve outra grande vitória ao conseguir eleger um deputado para o Congresso, feito que não conseguiam desde 2008, e que foi decisivo para a investidura do governo central do PSOE e do Unidas Podemos. Também em 2019 nas eleições municipais, conseguiram vencer em mais de 30 autarquias e governam em coligação com o PS da Galiza em 3 das 4 “diputacións” (organizações provinciais).

O Bloco Nacionalista Galego entende o nacionalismo de forma inclusiva e progressista e consolidou-se como alternativa ao governo de direita do PP e de Feijoó, que obteve a sua quarta maioria absoluta. A enorme onda de ilusão que se sentiu à volta da candidatura do BNG aproximou o sonho. Os próximos 4 anos já têm o objetivo traçado, consolidar a força do BNG e ganhar a presidência em 2024.

Bloco de Esquerda e esquerda.net saúdam a grande vitória obtida pelo Bloque Nacionalista Galego, que muito contribui para o reforço da esquerda.

O Bloco de Esquerda, quase desde a sua fundação, tem relações fraternas e próximas com o BNG, tendo, em 2011, tomado posição conjunta contra as políticas de austeridade.

Artigo de Diego Garcia

Sobre o/a autor(a)

Licenciado em Estudos Europeus. Dirigente distrital de Viseu do Bloco de Esquerda
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