Violência doméstica: pedidos de ajuda duplicaram após o confinamento

17 de junho 2020 - 19:57

Só numa única semana foram detidas 9 pessoas por violência doméstica nos distritos de Lisboa e Setúbal. Com a pandemia,  a Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica passou a receber o dobro dos pedidos de ajuda.

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Fotografia de Paulete Matos.

A informação consta no site da Procuradoria-Geral Regional de Lisboa (PGDL) e faz saber que entre os dias 8 e 14 de junho foram detidas nove pessoas nos distritos de Lisboa e Setúbal por suspeitas de crimes de violência doméstica. Na nota publicada pela PGDL e noticiada pela agência Lusa, sabe-se que as detenções ocorreram na área da violência doméstica em cenário de agressões, injúrias e ameaças entre cônjuges, companheiros, namorados ou ascendentes.

As organizações que trabalham na área da violência doméstica já tinham alertado para o impacto que a pandemia poderia ter nas situações de violência, apesar de os pedidos de ajuda não terem aumentado durante o período de confinamento. À Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica chegaram nas últimas semanas o dobro dos pedidos de ajuda em comparação com o período de confinamento.

Em declarações à Lusa, a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro, disse que o que recolheu das reuniões que manteve com as estruturas da rede nacional no período de emergência aponta para uma “agudização dos casos de violência que já pré-existiam” em 70% dos casos.

Desde o início da pandemia de covid-19, a Rede registou 15.919 atendimentos e, desde a segunda quinzena de maio, fez uma média de 4.500 atendimentos, quase o dobro dos 2.500 atendimentos em média nas quinzenas de abril, que já eram “um número muito significativo”, defendeu Rosa Monteiro.

Para além do aumento exponencial dos pedidos de apoio, a Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica fez saber que no período da pandemia mil dos pedidos que receberam eram de pessoas com idade igual ou superior a 65 anos.

Para as técnicas da Rede, estava claro que faltava uma resposta específica para esta população.  Seguindo a mesma lógica que conduziu à criação de respostas específicas para vítimas com doença mental, vítimas com deficiência, vítimas do sexo masculino, vítimas LGBT+, serão lançados três projetos-piloto com estruturas residenciais para idosas vítimas de violência doméstica — uma no Norte, outra no Centro e outra no Sul.

Cada uma com uma lotação máxima de 40 pessoas, estas estruturas não pretendem ser lares, mas centros de acolhimento temporários. A primeira acolherá vítimas até 15 dias (no máximo 30) e as restantes até seis meses (no máximo um ano). O objetivo é prestar apoio às mulheres idosas vítimas de violência, mas também ajudá-las a tornarem-se autónomas.