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“Vimos mais anúncios do que concretizações na resposta às pessoas e à economia”

No debate parlamentar sobre o estado de emergência, Pedro Filipe Soares frisou que é necessário acautelar as consequências económicas e sociais das restrições e exigir aos privados da saúde “que estejam à altura das necessidades num momento tão importante para o país”.
Pedro Filipe Soares no debate parlamentar sobre o novo estado de emergência. Foto de António Cotrim.

“Não ignoramos os perigos de um vírus que ainda é, para muitas das suas consequências, para nós desconhecido. E quando olhamos para os números da pandemia, para como afeta a nossa vida e os nossos serviços de saúde, sabemos que é uma urgência à qual não podemos deixar de dar resposta”, apontou o líder parlamentar do Bloco.

“Mas discutir limitações de direitos e liberdades para responder à pandemia não nos deve fazer esquecer o funcionamento da economia”, acrescentou.

Pedro Filipe Soares defendeu que "se hoje debatemos aqui um pedido do presidente da República que dará poderes ao Governo para agir em defesa da Saúde Pública, esse pedido deve ser acompanhado também na execução, em todo o seu alcance, de medidas para garantir que as consequências económicas e sociais desta limitação de direitos e liberdades são também acauteladas na ação governativa”.

“Infelizmente, vimos mais anúncios do que concretizações e mais atrasos do que rapidez na resposta às pessoas e à economia”, lamentou.

De acordo com o dirigente bloquista, “é uma urgência que estes atrasos e estas limitações sejam supridos neste novo estado de emergência que agora estamos a discutir. Esperemos que o Governo esteja à altura desse desafio”.

Pedro Filipe Soares destacou ainda que, “se há muito que é pedido às pessoas, se há muito que é pedido a diversos setores da economia, há outros setores em que tarda exigir-se que estejam à altura das necessidades num momento tão importante para o país”.

O líder parlamentar do Bloco lembrou que o Governo teve oportunidade de mobilizar o setor privado da saúde para responder à pandemia, “mas não o quis fazer”. E que teve e tem a possibilidade de “garantir que há um planeamento de todo o setor publico e privado da saúde para responder à pandemia”. “Não podemos perder-nos no regateio a que estamos a assistir entre o Governo e privados para responder à urgência do país”, vincou.

Pedro Filipe Soares afirmou que “não ignoramos, por exemplo, que num momento em que há tantos sacrifícios em tantos setores da economia existam negócios lucrativos como o dos testes privados da saúde”. E sublinhou que “falta a decisão para que aqueles setores que são essenciais à economia não falhem ao país neste momento essencial”.

O dirigente bloquista apontou uma novidade no texto que o presidente da República entregou à Assembleia da República, e que diz respeito à proibição de despedimentos no SNS. Pedro Filipe Soares referiu que espera que a defesa do SNS não passe “apenas e só pela proibição de despedimentos”. Valorizar as carreiras, motivar as pessoas, valorizar os profissionais “é melhor forma de garantir serviços de saúde para todos e todas”, defendeu. O líder parlamentar lamentou que, em vez disso, o Governo opte por promover contratos precários e desvalorizar os profissionais.

Por fim, Pedro Filipe Soares anunciou que o Bloco viabilizará este novo estado de emergência com a sua abstenção. Mas salientou que espera que o mesmo “sirva para o governo estar à altura do momento que atravessamos”. Em causa não está um “mandato em branco”, apontou, garantindo que este será fiscalizado pelo Bloco.

 

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