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“É tempo de o Governo se deixar de medidas mínimas" face a "uma crise que é máxima"

Catarina Martins defendeu que as “novas restrições obrigam a medidas de apoio económico e social mais fortes”. Caso contrário, o executivo “deixa boa parte da população abandonada” e sem capacidade para cumprir as regras.
Catarina Martins e Pedro Filipe Soares reuniram com o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Foto de RUI OCHOA, Presidência da República/Lusa.

Após reunião com o Presidente da República, Catarina Martins avançou que o Bloco decidirá o seu voto sobre um prolongamento do estado de emergência como tem feito sempre. De qualquer forma, a dirigente do Bloco assinalou que compreende que é necessário implementar medidas que permitam preservar a capacidade de resposta do SNS e o direito à Saúde da população.

Catarina Martins deixou, por outro lado, três preocupações do Bloco. As “medidas de restrição que o Governo venha a implementar devem ser baseadas na melhor evidência científica” e “comunicadas de forma coerente à população”.

“A população tem de compreender os riscos para poder respeitar as medidas e ponderar, nos seus comportamentos individuais, o que pode fazer face ao risco a que está sujeita”, frisou a coordenadora do Bloco, acrescentando que “tem faltado coerência nas medidas e uma correta comunicação do risco às populações”.

Acresce que “medidas de restrição obrigam, seguramente, a medidas de apoio económico e social” e que, nove meses após o início da pandemia, existem “setores em rutura e muita gente em enorme dificuldade”. Neste contexto, novas restrições devem ser acompanhadas de “medidas mais fortes de apoio económico e social”.

Segundo Catarina Martins, “o Governo tem vindo a querer fazer tudo pelos mínimos, mas esta crise não é mínima, é máxima”. “É tempo de o Governo se deixar de medidas mínimas e ter medidas robustas” perante “uma crise pandémica e social que é máxima", reforçou a coordenadora do Bloco. Caso contrário, o executivo “deixa boa parte da população abandonada” e sem capacidade para cumprir as regras.

“Não tem nenhum sentido que haja quem esteja a lucrar com a crise”

Catarina Martins lembrou ainda que “o estado de emergência tem permitido ao Governo uma intervenção mais forte na área da saúde”, como requisitar serviços privados se necessário, mas não se tem registado “nenhuma alteração nessa área”.

A dirigente bloquista assinalou a manifesta “fragilização do SNS”, que está “muito pressionado”, bem como o esgotamento dos profissionais, que já acumulam milhões de horas extraordinárias.

Paralelamente, “o Governo gasta milhares de milhões de euros em pagamentos a privados” e os “preços não estão a ser revistos”. Catarina Martins defende que “os recursos públicos têm de ser utilizados de forma mais eficiente” e que “não tem nenhum sentido que haja quem esteja a lucrar com a crise”.

“Seguramente, precisamos de toda a capacidade de saúde instalada, mas precisamos dela com critérios de interesse público”, apontou.

OE’2021: “Bloco mantém disponibilidade e determinação de sempre”

Questionada sobre o Orçamento do Estado para 2021, Catarina Martins afirmou que “é uma irresponsabilidade” achar que “basta um Orçamento na linha dos orçamentos anteriores”, quando, na realidade, “o país está com dificuldades como nunca teve”.

De acordo com a coordenadora do Bloco, precisamos de um “Orçamento capaz e que tenha a coragem de responder à crise”. “Há tempo para reforçar o Orçamento”, frisou, garantindo que “o Bloco mantém a disponibilidade e a determinação de sempre”.

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