Após ter recebido o documento, o primeiro-ministro Rishi Sunak já tinha garantido que anunciaria a sua decisão esta sexta-feira sobre o eventual afastamento de Dominic Raab. No entanto, o vice-primeiro-ministro adiantou-se e apresentou a sua carta de demissão, divulgando-a na sua página de Twitter.
Na missiva, Raab sublinha que, embora se sinta “obrigado a aceitar o resultado do inquérito”, o relatório rejeitou todas as acusações feitas contra si, exceto duas. No que respeita a estas últimas, o vice-primeiro-ministro acredita que as mesmas “estabelecem um precedente perigoso para a conduta de um bom governo”.
“Em primeiro lugar, os ministros devem ser capazes de exercer supervisão direta em relação a altos funcionários sobre negociações críticas conduzidas em nome do povo britânico, caso contrário, o princípio democrático e constitucional da responsabilidade ministerial será perdido”, defende.
Dominic Raab considera ainda que “os ministros devem ser capazes de dar feedback crítico direto sobre briefings e apresentações a altos funcionários, a fim de estabelecer os padrões e conduzir a reforma que o público espera de nós”.
Neste contexto, o governante alerta que “ao estabelecer um limite tão baixo para o bullying, esta investigação abriu um precedente perigoso”, o que “encorajará reclamações espúrias contra os ministros e terá um efeito inibidor sobre aqueles que promovem mudanças em nome do seu governo – e, finalmente, o povo britânico”.
A investigação preliminar que deu origem ao relatório foi conduzida pelo advogado Adam Tolley. Tolley analisou as oito queixas formais, referentes a acontecimentos que tiveram lugar quando Raab foi ministro para o Brexit, dos Negócios Estrangeiros e da Justiça. Oito membros da equipa afirmam ter sido vítimas de bullyng por parte do governante e outros 15 garantem ter testemunhado comportamentos agressivos ou injustos.
Ao longo dos últimos meses, foram divulgadas dezenas de relatos na imprensa sobre a conduta do vice-primeiro-ministro. O primeiro caso foi denunciado no jornal The Guardian, em novembro. Várias fontes do Ministério da Justiça acusaram Raab de ter instituído uma “cultura de medo” e de ser “muito mal-educado e agressivo” para os membros da sua equipa.
My resignation statement. pic.twitter.com/DLjBfChlFq
— Dominic Raab (@DominicRaab) April 21, 2023
O vice-primeiro-ministro foi acusado de levar os funcionários às lágrimas devido ao seu “comportamento coercivo” e recebeu a alcunha de “O Incinerador”, por levar a equipa ao burnout. Um dos relatos descreve como Raab teria chegado a atirar tomates da salada que estava a comer aos seus funcionários.