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Um grito de solidariedade contra o silêncio conivente

Numa sessão de solidariedade com os ativistas angolanos realizada ontem, em Lisboa, Marisa Matias afirmou que “não há nada mais parecido com uma ditadura de direita do que uma ditadura de esquerda”.

Perante centenas de pessoas, a eurodeputada do Bloco lamentou que “os símbolos libertadores em Angola se tenham tornado no símbolo do carcereiro.”

"Estamos num país onde dependemos tantos anos que outros países, outras pessoas, se lembrassem que tínhamos presos políticos. Não podemos agora nós esquecer os presos políticos angolanos. Ultraje para os combatentes do MPLA que combateram pela libertação", sublinhou Marisa Matias.

Angola é um país independente mas falta-lhe ainda ser livre

A dirigente bloquista disse ainda que "Angola é um país independente mas falta-lhe ainda ser livre".

Pacheco Pereira disse, por seu turno, que o chumbo na Assembleia de República de um voto condenatório em relação à prisão dos jovens é “uma vergonha e mostra como Angola é uma doença portuguesa”.

“É cómodo criticar as violações de direitos humanos na Síria, na Coreia do Norte, na Birmânia, mas quando são próximas o silêncio é regra”, sublinhou Pacheco Pereira, citado pelo jornal Público.

De acordo com aquele jornal, na sessão interveio ainda a deputada do Partido Socialista, Isabel Moreira, que criticou igualmente a posição do PSD, CDS e PCP no parlamento quando, em 31 de março, não condenaram a prisão dos 17 ativistas. A parlamentar socialista afirmou que “a este silêncio, chama-se conivência”.

No decurso da sessão, foram lembrados aqueles que estiveram presos durante o regime fascista português, numa comparação à luta travada pelos ativistas angolanos que foram condenados por "actos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores".

Luaty Beirão de novo em greve de fome

A irmã de Luaty Beirão, um dos condenados, esteve também presente no Fórum Lisboa e explicou aos presentes as razões que levaram o irmão a entrar de novo em greve de fome.

Serena disse que o irmão voltou a "privar-se de comida, roupa e palavras" porque “recusou” ser transferido de Viana para o hospital-prisão de São Paulo e tal só aconteceu porque foi “forçado” pelos guardas prisionais.

“Ele não queria sair da cadeia de Viana porque ainda tinha casos a denunciar. Transferir para o hospital prisão é um privilégio que eles nunca quiseram”, afirmou a irmã de Luaty Beirão.

A sessão do Fórum Lisboa contou ainda com a presença, entre outros, de Lídia Jorge, João Semedo, Bábara Bulhosa, Marisa Matias, Fernanda Câncio, Pacheco Pereira, Ricardo Sá Fernandes, Ricardo Araújo Pereira, Sérgio Godinho, Pedro Conquenão, Riça JL, numa iniciativa subscrita por mais de 250 personalidades das áreas da cultura, da política e das artes.

Liberdade aos Presos Políticos em Angola | 5 Maio 2016 | Fórum Lisboa

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