ULS do Alentejo Central: administração apresentou demissão à ministra

27 de fevereiro 2025 - 20:32

No centro do conflito entre o conselho de administração estavam as obras relacionadas com o Novo Hospital Central do Alentejo.

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Unidade Local de Saúde do Alentejo Central
Fotografia de Unidade Local de Saúde do Alentejo Central.

Na quarta-feira, o conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) apresentou a sua demissão à ministra da Saúde. Entre os vários problemas que levaram à demissão da administração está a forma como a secretária de Estado da Gestão da Saúde está a fazer a obra para o novo hospital da região.

“A renúncia aos cargos foi motivada, entre outras razões, pelo facto de o Conselho de Administração não se rever na instrução contida no Despacho n.º 2152/2025, de 17 de fevereiro, da Exma. Sra. Secretária de Estado da Gestão da Saúde relativa à gestão da obra do Novo Hospital Central do Alentejo (NHCA)”, lê-se no comunicado emitido pela ULSAC no seu site.

Segundo a administração que se demitiu, passado 40 meses de execução o novo hospital ainda está longe de ser concluído. A previsão era que o hospital ficasse operacional em 2024, mas a sua previsível conclusão só acontecerá em 2026 ou 2027.

O despacho da secretária de Estado da Gestão da Saúde, Cristina André, colide com o Decreto-Lei original sobre a obra e “inviabiliza que o Conselho de Administração da ULSAC prossiga a sua principal missão: garantir a prestação de cuidados de saúde diferenciados e de qualidade à população do Alentejo”, lê-se no comunicado.

A administração cessante considera que a renúncia aos cargos permitirá ao ministério da Saúde “definir uma nova equipa para liderar a ULSAC, que possa pôr em prática as políticas e medidas que considere necessárias, com a celeridade exigida, evitando que o atual Conselho de Administração constitua um obstáculo à sua concretização”.

O Diário de Notícias avança que a saída é também marcada pelo episódio do dia 18 de fevereiro, quando um homem que se sentiu mal à frente do Serviço de Urgência do Hospital de Évora acabou por morrer depois de lhe ter sido rejeitado socorro por não ter ligado para a Linha SNS24.

Já são 12 as mudanças nos conselhos de administração de Unidades Locais de Saúde desde que o governo tomou posse. São exonerações feitas pela própria ministra e demissões de administrações em discordância com a forma como Ana Paula Martins tem gerido a crise da saúde em Portugal.