A violência das tropas ocupantes regressou ao campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia, esta segunda-feira. Segundo a agência Wafa, citada pela al-Jazeera, os soldados entraram no campo disparando balas reais, granadas de atordoamento e gás tóxico. Os jornalistas também foram alvos dos tiros dos militares num local próximo ao do assassinato da jornalista Shireen Abu Akleh em maio de 2022. A incursão militar foi a mais mortífera desde janeiro, quando as tropas israelitas entraram no campo de refugiados de Jenin e deixaram nove mortos à sua passagem.
Os militares israelitas dizem que o objetivo da operação era o de prender dois homens e segundo a cadeia televisiva um deles seria o filho de um dos líderes do Hamas atualmente na prisão. A invasão ficou comprometida na fase de retirada quando um dos veículos militares foi atingido por um engenho explosivo. Os militares ficaram bloqueados e chamaram a ajuda de um helicóptero que disparou rockets contra aquela área densamente povoada.
O resultado da intervenção saldou-se por cinco palestinianos mortos, um deles com apenas 15 anos. Segundo a CNN, citando o Ministério da Saúde palestiniano, registaram-se 91 feridos, 23 dos quais em estado grave. "É uma guerra criminosa que o exército israelita, muito bem equipado, está a conduzir contra os civis palestinianos em Jenin", disse à al-Jazeera Mustafa Barghouti, secretário-geral da Iniciativa Nacional Palestiniana. "Estamos a falar de um exército que está a usar helicópteros Apache, caças F-16, veículos blindados, uma quantidade ilimitada de pólvora contra a população civil, basicamente no campo de Jenin e na própria cidade de Jenin", acrescentou.
O exército israelita diz que sete soldados ficaram feridos durante o ataque, mas todos com ferimentos ligeiros ou moderados. Esta foi a primeira vez desde a Segunda Intifada, que terminou em 2005, que um helicóptero israelita abriu fogo para cobrir a retirada dos seus soldados.
O porta-voz da diplomacia europeia, Peter Stano, afirmou em comunicado citado pela agência Lusa que "a UE está profundamente preocupada com os últimos desenvolvimentos em Jenin, que provocaram a morte de vários civis. As operações militares têm de ser proporcionais e em linha com a lei humanitária internacional".
Além desta condenação, a UE diz-se preocupada "com os planos anunciados por Israel para avançar com a criação de mais de 4.000 colonatos" na Cisjordânia até ao final do mês e "exorta Israel a não avançar com isto."