Lay-off

Trabalhadores responsabilizam Bosch Portugal por lay-off e lembram lucros acumulados

30 de outubro 2025 - 12:56

A empresa informa que serão cerca de 2.500 os trabalhadores afetados. A Comissão de Trabalhadores responsabiliza-a por não ter sabido acautelar a situação. O SITE Norte defende que o valor do lay-off devia ser pago a 100% pela Bosch. Bloco exige à ministra do Trabalho que tome uma posição.

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Fábrica de Braga da Bosch.
Fábrica de Braga da Bosch. Imagem da Fiequimetal.

A Bosch decidiu mandar grande parte dos trabalhadores da sua unidade de Braga para casa na sequência de uma falta de chips da Nexperia na qual o governo neerlandês interveio no contexto da guerra comercial entre EUA e a China. O prazo deste lay-off, agora conhecido, é “presumivelmente” até ao próximo mês de abril, pode ler-se em comunicado da empresa. O número de trabalhadores afetados que se adianta é na ordem dos 2.500.

Economia

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por

Romaric Godin

30 de outubro 2025

À Rádio Renascença, Maximiliano Pereira, representante da Comissão de Trabalhadores da empresa, responsabiliza a empresa “que não soube acautelar esta situação”, defendendo que os stocks de segurança “podiam ser maiores” e adiantando ainda que “uma empresa como a Bosch devia “procurar sempre alternativas e não esperar que as coisas aconteçam”. Explicou ainda aos jornalistas que a decisão para avançar para o lay-off foi comunicada ao organismo que integra na passada quarta-feira e que se seguiram negociações com a CT. Em declarações citadas pelo Jornal de Notícias, concretiza que “na segunda-feira chegámos a um entendimento sobre a forma e o lay-off. Ficou assegurado 85% do salário para todos os trabalhadores, acima do que é estipulado por lei, que é de 66%”.

O SITE Norte, por seu lado, num comunicado divulgado esta quarta-feira, defende que a Bosch “tem todas as condições para pagar a cem por cento os salários dos 2.500 trabalhadores que decidiu, à socapa, colocar em lay-off a partir da próxima semana”. E considera inadmissível colocar “os trabalhadores a pagar os seus próprios salário”. Destaca ainda que “a penalização por essa decisão da multinacional não deve recair sobre os trabalhadores, reduzindo os seus salários e os descontos que vão determinar o valor das suas reformas”.

Para o sindicato, é também inaceitável que um dos maiores exportadores nacionais faça cobrar pela Segurança Social os custos do lay-off, recordando-se que a multinacional alemã tem tido “recorrentemente acesso a fundos comunitários e estatais, assim como a variados benefícios fiscais, tal como vai beneficiar da recente descida do IRC” e que, o ano passado, a Bosch Portugal cresceu 14%. Assim, os “lucros acumulados é que deveriam ser usados para pagar os salários dos trabalhadores que a empresa decidiu pôr em lay-off”.

O sindicato afirma ainda que “na guerra económica que os EUA e a UE cavalgam, não há nenhuma responsabilidade dos trabalhadores” e que “nenhuma “Trumpice” tem sido devidamente enfrentada por aqueles que, na UE, têm responsabilidade de defender os interesses do País”.

No parlamento, a deputada bloquista Mariana Mortágua questionou a ministra do Trabalho sobre a situação dos trabalhadores, considernado “essencial que os postos de trabalho sejam protegidos”, pois “a principal fonte de rendimentos destes trabalhadores é o seu salário e tem de ser preservado”.

“É urgente que a tutela tome uma posição e acompanhe esta situação, tendo como contrapartida de quaisquer apoios públicos a garantia de que nenhum trabalhador é despedido ou vê o seu salário reduzido, como consequência desta decisão de gerência da empresa, à qual os seus trabalhadores são totalmente alheios”, defendeu Mariana Mortágua.