A Bosch decidiu mandar grande parte dos trabalhadores da sua unidade de Braga para casa na sequência de uma falta de chips da Nexperia na qual o governo neerlandês interveio no contexto da guerra comercial entre EUA e a China. O prazo deste lay-off, agora conhecido, é “presumivelmente” até ao próximo mês de abril, pode ler-se em comunicado da empresa. O número de trabalhadores afetados que se adianta é na ordem dos 2.500.
À Rádio Renascença, Maximiliano Pereira, representante da Comissão de Trabalhadores da empresa, responsabiliza a empresa “que não soube acautelar esta situação”, defendendo que os stocks de segurança “podiam ser maiores” e adiantando ainda que “uma empresa como a Bosch devia “procurar sempre alternativas e não esperar que as coisas aconteçam”. Explicou ainda aos jornalistas que a decisão para avançar para o lay-off foi comunicada ao organismo que integra na passada quarta-feira e que se seguiram negociações com a CT. Em declarações citadas pelo Jornal de Notícias, concretiza que “na segunda-feira chegámos a um entendimento sobre a forma e o lay-off. Ficou assegurado 85% do salário para todos os trabalhadores, acima do que é estipulado por lei, que é de 66%”.
O SITE Norte, por seu lado, num comunicado divulgado esta quarta-feira, defende que a Bosch “tem todas as condições para pagar a cem por cento os salários dos 2.500 trabalhadores que decidiu, à socapa, colocar em lay-off a partir da próxima semana”. E considera inadmissível colocar “os trabalhadores a pagar os seus próprios salário”. Destaca ainda que “a penalização por essa decisão da multinacional não deve recair sobre os trabalhadores, reduzindo os seus salários e os descontos que vão determinar o valor das suas reformas”.
Para o sindicato, é também inaceitável que um dos maiores exportadores nacionais faça cobrar pela Segurança Social os custos do lay-off, recordando-se que a multinacional alemã tem tido “recorrentemente acesso a fundos comunitários e estatais, assim como a variados benefícios fiscais, tal como vai beneficiar da recente descida do IRC” e que, o ano passado, a Bosch Portugal cresceu 14%. Assim, os “lucros acumulados é que deveriam ser usados para pagar os salários dos trabalhadores que a empresa decidiu pôr em lay-off”.
O sindicato afirma ainda que “na guerra económica que os EUA e a UE cavalgam, não há nenhuma responsabilidade dos trabalhadores” e que “nenhuma “Trumpice” tem sido devidamente enfrentada por aqueles que, na UE, têm responsabilidade de defender os interesses do País”.
Trabalho
Depois de despedir 300, Bosch de Braga entra em lay-off por tempo indeterminado
No parlamento, a deputada bloquista Mariana Mortágua questionou a ministra do Trabalho sobre a situação dos trabalhadores, considernado “essencial que os postos de trabalho sejam protegidos”, pois “a principal fonte de rendimentos destes trabalhadores é o seu salário e tem de ser preservado”.
“É urgente que a tutela tome uma posição e acompanhe esta situação, tendo como contrapartida de quaisquer apoios públicos a garantia de que nenhum trabalhador é despedido ou vê o seu salário reduzido, como consequência desta decisão de gerência da empresa, à qual os seus trabalhadores são totalmente alheios”, defendeu Mariana Mortágua.