"A Direção de Informação, que repetidamente invoca o mérito como medida da sua decisão, aceitou participar num processo ilegítimo e nos antípodas de quaisquer boas práticas de gestão conhecidas. Esta conduta, desrespeitando a dignidade devida às pessoas, conduziu a que a redacção tenha perdido a confiança na Direção de Informação", revelou o Conselho de Redação após o plenário que aprovou a retirada de confiança à equipa liderada por Paulo Ferreira.
Os trabalhadores reafirmam a sua oposição a "um processo que terminará inevitavelmente na elaboração de listas de mobilidade por parte da Direção de Informação de Televisão da RTP, que a Administração promove", lê-se no documento publicado pela agência Lusa. Para o Conselho de Redação, "este não é um processo de avaliação pois não cumpre os requisitos formais, é sim o processo de execução de listas de inadequados, dispensáveis, 'despedíveis'".
Reunião com Maduro: "As más notícias vão continuar a suceder-se"
Esta terça-feira a Comissão de Trabalhadores (CT) da RTP reuniu com o ministro Poiares Maduro, que já apresentou aos deputados a proposta de novo contrato de serviço público de televisão e rádio. Em comunicado, os trabalhadores revelam que "a CT saiu do encontro com a convicção de que os trabalhadores, com as ameaças do PDR suspensas sobre a cabeça, não podem contar com um verdadeiro diálogo".
Segundo o comunicado da CT, Poiares Maduro quis saber se havia trabalhadores excedentários nalguns setores da empresa. "A estas questões respondeu a CT que em determinadas áreas há trabalhadores tão sobrecarregados que chegam a fazer vários meses de horas extraordinárias num ano, ou trabalhadores externos a serem sistematicamente contratados para suprirem as faltas", informam os trabalhadores, que também contestam "que se possa considerar 'excedentários' os trabalhadores a quem, por falta de projeto e por falta de liderança, não se dá o que fazer", dando como exemplo programas de informação não-diária de qualidade que ficam de fora da grelha, substituídos por "programas menos exigentes".
À reivindicação da suspensão do Plano de Desenvolvimento e Reestruturação (PDR) da empresa, que entre outras medidas prevê a saída do setor de produção para uma empresa externa, Poiares Maduro terá respondido que "não quer alimentar a expectativa sobre uma suspensão do PDR que não considera realista". A CT saiu do encontro "com a convicção de que os trabalhadores, com as ameaças do PDR suspensas sobre a cabeça, não podem contar com um verdadeiro diálogo", conclui o comunicado divulgado no fim da reunião com o ministro.