“O Presidente do Conselho de Administração da RTP, Alberto da Ponte, anunciou ontem [terça-feira] o despedimento de 300 trabalhadores”, afirmou Cecília Honório, na comissão parlamentar para a Ética, a Cidadadia e a Comunicação, durante a audição do ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional. Poiares Maduro respondeu dizendo "não ter qualquer conhecimento" desse despedimento, mas os sindicatos confirmaram à agência Lusa as intenções da administração.
"Na prática isso corresponde a um despedimento", afirmou a fonte sindical, lembrando que a manobra da administração já foi feita no passado. "Essa empresa irá receber os meios humanos e técnicos mas terá apenas um cliente: a RTP", pelo que "está condenada desde o primeiro dia do seu nascimento, como aconteceu com a Focus", acrescentou a mesma fonte.
Poiares Maduro disse à Comissão ver com bons olhos a "externalização" de serviços da empresa para cortar custos, mas os trabalhadores veem os anúncios da "externalização" da produção da RTP como o primeiro passo para o despedimento coletivo. No passado dia 2, um plenário convocado pela plataforma de sindicatos da empresa aprovou uma resolução exigindo garantias de que “não haverá qualquer despedimento colectivo, como parece indiciar a carta de resposta da administração aos sindicatos”. Ao mesmo tempo, pediram à administração um relatório sobre a “produção e meios próprios da empresa e trabalhos entregues a produtoras externas”.