A Comissão de Trabalhadores da RTP entregou ao ministro Poiares Maduro uma resolução, aprovada por unanimidade pelo plenário de trabalhadores, que pede a suspensão do Plano de Desenvolvimento e Redimensionamento (PDR). "Sem essa suspensão, qualquer discussão sobre o contrato de concessão far-se-á sempre com uma espada pendente sobre a cabeça dos trabalhadores, viciando irremediavelmente a possibilidade de criação de consensos sobre o futuro da RTP", disse à Lusa Camilo Azevedo, porta-voz da CT.
Na resolução, os trabalhadores manifestam a sua preocupação pela política de transformar a estação pública numa agregadora e distribuidora de conteúdos, “no fundo um videoclube”, em prejuízo da produção própria “que é componente inalienável do serviço público de rádio e televisão na generalidade dos países europeus”.
Desinvestimento no jornalismo
Por outro lado, dizem os trabalhadores, “a valorização unilateral do entretenimento em prejuízo da informação aponta para o desinvestimento nessa outra componente inalienável do serviço público que é o jornalismo”.
A administração pretende desmantelar as capacidades próprias da RTP nas áreas técnicas, ao anunciar a parceria com oito empresas privadas. A “externalização” de toda a produção de programas de televisão representa o afastamento de 300 trabalhadores daquela área e torna “mais pesada a fatura financeira” que o Conselho de Administração diz querer baixar.
A CT comunicou ainda a Poiares Maduro a exigência dos trabalhadores da RTP da "abertura de uma discussão sobre o futuro da RTP na Comissão de Ética" da Assembleia da República, para debater papel do serviço público de rádio e televisão.