Trabalho

Trabalhadores da Efacec denunciam “clima de medo” na empresa

15 de outubro 2025 - 16:24

Os representantes dos trabalhadores denunciam pressões para rescisões de contrato e dizem que pairam ameaças de despedimento coletivo.

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Linha de montagem – Fluofix. Foto Efacec
Linha de montagem – Fluofix. Foto Efacec

Reprivatizada em 2023 e agora nas mãos do fundo de investimento alemão Mutares, após o processo ‘Luanda Leaks’ ter afastado Isabel dos Santos do capital e obrigado o Estado a nacionalizar a empresa e a injetar capital durante três anos, a Efacec vive agora uma situação que está a preocupar os seus trabalhadores, cujos representantes foram ouvidos na terça-feira no Parlamento.

Sabia-se já que a entradado fundo alemão tinha significado uma redução de trabalhadores de 2.600 para 2.000. Agora, ficaram-se a conhecer mais pormenores do que significou essa aquisição para os trabalhadores.

O Jornal de Notícias conta como os representantes das comissões de trabalhadores da empresa explicaram que há um “clima de medo”, que pairam ameaças de despedimento coletivo e há “pressões para rescisões de contrato”.

Um deles, José Ferreira, detalha que “este processo tem gerado muita ansiedade entre os trabalhadores, que precisam de ter os salários assegurados e um ambiente saudável de trabalho. Mudou-se a cultura familiar da empresa e sente-se um clima de medo de venda da mesma, entre quem lá trabalha”. A incerteza domina: “não sabemos se haverá deslocalização da empresa ou encerramento de setores. Há denúncias de trabalhadores que sofrem pressões para rescindir contrato. A empresa quer desfazer-se de contratos efetivos e instituir novas contratações a termo”, assinala, acrescentando que o interesse da empresa virou-se “exclusivamente para o lucro”.

É corroborado nisto por outra representante dos trabalhadores, Beatriz Gomes, que acrescenta que houve “perda de elementos qualificados com as saídas originadas por todo o processo” de nacionalização e de reprivatização.

Em igual sentido foram as declarações do coordenador do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (Site Norte), Miguel Pinto, que confirma as “pressões” para os trabalhadores aceitarem rescisões.

Citado pela Lusa, o dirigente sindical afirma que a empresa se afasta dos setores que antes eram considerados estratégicos para se focar no negócio de transformadores.

O Site Norte também aponta críticas às falhas de gestão anteriores, a privada e a pública que se lhe seguiu, considerando que esta “tem sido mal gerida pelo setor privado há muitos anos”. Nota que a empresa apresentava dificuldades apesar de continuar a ganhar concursos. Por exemplo, “na véspera de conhecer novo dono”, precisamente o fundo de investimento que atualmente a detém, ganhou um contrato de 18 milhões de euros.

Sobre o período em que houve gestão do Estado, Miguel Pinto sublinha que este nunca “colocou lá nenhum gestor público, de certeza que os há, para gerir a empresa”. Para ele, “isto nunca foi uma verdadeira nacionalização” mas apenas serviu para “tapar buracos”.