O fundo alemão Mutares, que comprou a Efacec durante o processo de reprivatização ocorrido em novembro passado, anunciou agora uma reestruturação da empresa que inclui um despedimento coletivo que pode atingir cerca de uma centena de trabalhadores.
A empresa estará a deixar de lado as partes do negócio que considera não serem rentáveis. E vai-se desfazer das unidades de Ambiente e Renováveis sediadas na Maia e que incluem projetos e instalação de parques solares. De acordo com o Expresso, terminam os negócios “ligados ao espaço, máquinas rotativas, águas e resíduos e despoeiramento” e há outras áreas que “vão ser fundidas, como os transformadores e a aparelhagem”. A empresa quer centrar atividade na mobilidade elétrica, automação e transformadores/energia.
Anuncia-se oficialmente um “descontinuar faseado, respeitando as obrigações contratuais em curso” mas, de acordo com o semanário, os trabalhadores têm estado desde a passada sexta-feira a receber notificações de despedimento coletivo. E há quem tenha negociado recentemente rescisões amigáveis depois de já em fevereiro terem saído “algumas dezenas” de trabalhadores desta forma.
O anúncio genérico das mudanças aos trabalhadores foi feito numa reunião online, via Teams, em inglês.
Novos patrões, velhas práticas
O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (SITE Norte) reagiu a estas notícias em comunicado, exigindo que a administração “explique as razões que motivam esta intenção, o que implica parar esta iniciativa no imediato”. Pretende-se que a direção fundamente “com rigor e de forma objetiva as razões para levar a cabo uma medida que, a concretizar-se, terá consequências profundamente negativas para os trabalhadores, em primeiro lugar, mas também para a própria Efacec”.
Os sindicalistas consideram que se está perante “velhas práticas da nova administração” e vinca que “a intenção de despedimento coletivo, provavelmente, vai ter como primeiro alvo os trabalhadores que não aceitaram alienar o seu posto de trabalho pela via dessas rescisões amigáveis”.
Nos três anos em que a empresa esteve na esfera pública, entre 2020 e 2023, o Estado injetou 200 milhões de euros para pagar salários e fornecedores através da Parpública. Depois, vendeu a empresa por 15 milhões de euros. E nesse processo aplicou mais perto de 200 milhões de euros num denominado “saneamento financeiro da empresa” e outros 30 milhões de “pagamento de contingências”.
Nas contas do sindicato, “o Governo pagou 395 milhões de euros” para o fundo alemão especializado em entrar em empresas em dificuldades “ficar com a Efacec”. E conclui que havia razão em alertar “que o domínio do capital estrangeiro, nesta empresa estratégica, não serviria para beneficiar o País nem os trabalhadores” e que “este não iria ser o caminho para valorizar os salários e as carreiras profissionais”.