O Governo tem concluído o negócio para entregar a Efacec ao fundo alemão Mutares, que se especializa em adquirir empresas em dificuldades para depois as revender. O fundo vai pagar 15 milhões de euros e avançar com garantias bancárias no valor de 60 milhões. O Estado português ficará com uma percentagem de 66% da futura venda da empresa e caso haja entretanto dividendos, arrecadará 75% desse valor.
De acordo com o jornal Público, depois da operação de saneamento financeiro, a Efacec ficou com um capital social avaliado em 300 milhões de euros, com o Estado a dar como perdidos 200 milhões que injetou na Efacec como suprimentos desde abril do ano passado. A este valor somam-se mais 201 milhões aplicados no aumento de capital social e compromete-se a colocar mais 30 milhões para "pagamento de contingências". A estes 231 milhões podem ser subtraídos 72 milhões de garantias públicas libertadas pela venda da empresa, ficando a exposição do Estado à Efacec avaliada em 159 milhões.
Na frente parlamentar, o anúncio da venda levou a Iniciativa Liberal a anunciar uma comissão de inquérito. Questionada pelos jornalistas sobre a posição do Bloco de Esquerda, a deputada Isabel Pires disse que o partido irá aguardar para se conhecer o âmbito do trabalho dessa comissão, não se opondo em princípio a que ela avance.
"Vamos querer todos os esclarecimentos acerca deste processo", afirmou Isabel Pires, a começar já na segunda-feira quando o ministro da Economia, António Costa e Silva, for ouvido pelos deputados durante o debate na especialidade do Orçamento do Estado para o próximo ano.
"É importante que a Efacec se mantenha sob controlo público"
"A Efacec é uma empresa estratégica, trabalha numa indústria fundamental na área da transição energética e tem um valor muito importante para a economia portuguesa, em particular para a região Norte", prosseguiu a deputada, recordando que "na altura do decreto de nacionalização que previa a futura privatização da empresa, nós estivemos contra e apresentámos um pedido de apreciação parlamentar para a retirada da referência à privatização", que acabou chumbado pelo PS e pela direita.
"Desde o início temos uma posição muito clara: a Efacec é uma empresa importante para o nosso pais, emprega milhares de trabalhadores e por isso dissemos que a nacionalização deveria manter-se para o futuro", dado que "o Estado devia ser pioneiro nesta indústria". Por isso, "é importante que a Efacec se mantenha sob controlo público para garantir esse valor estratégico que o próprio Governo defendeu quando nacionalizou a empresa", concluiu Isabel Pires.