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Suécia recusou o confinamento e tem alta taxa de mortalidade

A Suécia recusou as orientações da OMS em relação à covid-19, mas a crise económica afeta-a, tal como acontece nos países que adotaram o confinamento. E, continua com uma elevada taxa de mortalidade - a mais elevada dos países nórdicos e a sexta mais elevada do mundo.
A Suécia tem atualmente a mais elevada taxa de mortalidade da covid-19 dos países nórdicos e a sexta mais elevada do mundo – Foto wikipedia
A Suécia tem atualmente a mais elevada taxa de mortalidade da covid-19 dos países nórdicos e a sexta mais elevada do mundo – Foto wikipedia

A Suécia distinguiu-se na abordagem do enfrentamento da covid-19 por recusar o confinamento, as orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde) e por defender a imunidade de grupo. O Reino Unido adotou inicialmente a mesma orientação da Suécia, porém arrepiou caminho e abandonou-a, após a divulgação de um estudo do Imperial College que previa a morte 250 mil pessoas no país1.

Nas medidas estabelecidas na Suécia, a maior parte do comércio foi mantido em atividade, nomeadamente, os restaurantes e os cabelereiros, mas também os bares e os ginásios, não foi aplicado o confinamento, embora fosse aconselhado o distanciamento social, e foi recomendada a responsabilização individual e voluntária da população.

Esta orientação, seguida pelo governo sueco, não foi aceite sem contestação, como assinalámos em notícia que publicámos a 28 de abril e uma petição, pedindo que se adotassem medidas de acordo com as recomendações da OMS, reuniu mais de duas mil assinaturas, incluindo o presidente da Fundação do prémio Nobel, Carl-Henrik Heldin. Na notícia publicada no esquerda.net dava-se conta que a Suécia tinha a mais alta taxa de mortalidade dos países escandinavos, que essa elevada taxa levantava muitas dúvidas sobre a orientação do governo sueco, que continuava a defender que a sua orientação daria frutos a longo prazo.

Cerca de um mês depois, a Suécia continua com uma elevada taxa de mortalidade, não só em comparação com os países nórdicos, mas em geral, mesmo em comparação com Portugal. Além disso, também do ponto de vista da economia, os resultados até hoje alcançados pela Suécia não são diferentes dos países que adotaram as recomendações da OMS.

Elevada mortalidade

A 24 de maio, a Suécia tem um total de 33.459 pessoas infetadas com covid-192 e 3.998 óbitos, o que significa 395 pessoas por milhão de habitantes.

Comparando os óbitos em relação aos outros países nórdicos, verifica-se que a Suécia tem a taxa mais elevada, 395 por milhão de pessoas, enquanto a Dinamarca tem 97, a Noruega 43 e a Finlândia 55. Mesmo em relação a Portugal, os números de óbitos da Suécia são muito superiores, 129 por milhão de pessoas em Portugal, para 395 na Suécia.

Atualmente, a Suécia é o sexto país do mundo com mais óbitos provocados pela covid-19, segundo a Universidade John Hopkins3. Com mais elevado número de mortos por covid-19 em 100.000 habitantes, regista-se apenas Bélgica 81, Espanha 61, Reino Unido 55, Itália 54 e França 42.

Crise económica

Em relação à economia, a estratégia sueca de combate à covid-19 também não beneficiou o país, em relação aos países que seguiram a estratégia do confinamento.

Assim, segundo as previsões do banco central da Suécia, citadas pelo “Diário de Notícias”4, divulgadas em abril e que foram mantidas na passada semana, o PIB poderá cair 6,9% em 2020 e em 2021 poderá crescer 4,6%. Numa previsão mais negativa que não foi afastada, o PIB poderá recuar 9,7% e o crescimento em 2021 ser apenas de 1,7%. O desemprego, que está atualmente em 7,2% pode chegar aos 8,8% em 2020, na primeira previsão, ou atingir os 10,1% na hipótese mais pessimista.

Anders Tegnell, epidemologista chefe da agência de Saúde Pública da Suécia, continua a defender as orientações definidas e a imunidade de grupo, dizendo mesmo que calcula que pouco mais de 20% das pessoas tenham desenvolvidos anti-corpos contra a covid-19. Porém, e ao contrário das previsões de Tegnell, um estudo da Agência de Saúde Pública revelou que, no final de abril, apenas 7,3% de uma amostra de 1.104 pessoas selecionadas em Estocolmo, tinham anticorpos.


Notas:

1 Ver entrevista do epidemiologista sueco Johan Giesecke ao jornal Público:

Termos relacionados Covid-19, Internacional
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