Custo de vida

“Por cada dia de guerra, sobe o preço da renda, do leite e do pão”

26 de maio 2026 - 20:22

Numa ação de rua do “Preço Incerto” em Matosinhos, José Manuel Pureza acusou Paulo Rangel de “atirar areia para os olhos das pessoas” nas explicações que deu sobre o uso da Base das Lajes na guerra ao Irão. E exigiu soluções para o SIRESP, em vez do “jogo de passa-culpas”.

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José Manuel Pureza em Matosinhoa
José Manuel Pureza em Matosinhoa. Foto de Pedro Faria.

O coordenador do Bloco de Esquerda esteve esta terça-feira em Matosinhos para mais uma ação de rua do “Preço Incerto”, uma versão do popular concurso televisivo, ali apresentada peo ator e encenador Mário Moutinho. 

Mário Moutinho apresentou "O Preço Incerto" em Matosinhos
Mário Moutinho apresentou "O Preço Incerto" em Matosinhos, desafiando o público a descobrir qual foi a percentagem do aumento dos preços de produtos essenciais. Foto de Pedro Faria

José Manuel Pureza diz que o jogo é “um mecanismo mais divertido de pôr em destaque os preços a explodir e que explodem mais ainda justamente por causa da irresponsabilidade de uma guerra que está a ser conduzida no Médio Oriente por Trump, por Netanyahu, com a conivência do governo português e que faz com que o preço dos combustíveis aumente brutalmente e aumentando o preço dos combustíveis aumenta o preço dos bens essenciais de todos eles”.

Para José Manuel Pureza, o aumento do custo de vida “é o problema essencial da vida das pessoas. Quando me vêm falar de causas fraturantes, o que eu digo é que a principal causa fraturante do país é justamente salário pequeno para gastos que as pessoas têm que fazer com a sua vida de todos os dias”.

Mário Moutinho apresentou "O Preço Incerto" em Matosinhos
Foto de Pedro Faria

Pureza não poupou críticas ao Governo por “fazer com que as pessoas não pensem naquilo que é evidente”, ou seja, “que cada bomba que cai no Médio Oriente, cada dia de guerra no Médio Oriente, sobe o preço da renda da casa, sobe o leite, sobe o pão, sobe o conjunto dos bens essenciais da vida quotidiana das pessoas”.

Questionado pelos jornalistas sobre as explicações de Paulo Rangel para o uso da Base das Lajes no ataque ao Irão, Pureza respondeu que elas “não convencem o próprio Paulo Rangel”. O argumento de que há um regime de autorizações que passou a ser aplicado não esconde que “antes disso já tinha havido aeronaves militares a passarem pela base das Lajes, drones da mais alta capacidade letal”, afirmou o coordenador do Bloco.

“E vêm dizer que é para usos defensivos, que é para responder a um ataque, mas é um ataque de quem? Enfim, tudo isso não é plausível, é areia atirada para os olhos das pessoas”, prosseguiu o coordenador bloquista.

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SIRESP: As pessoas “querem soluções” e não um “jogo de passa-culpas”

Sobre a polémica dos últimos dias em torno da demissão do secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna por causa da nomeação de Viegas Nunes para regressar à liderança do SIRESP, José Manuel Pureza afirmou que as pessoas que ficaram aflitas durante as tempestades e os incêndios ou os bombeiros que ficaram sem comunicações quando mais precisavam “não querem saber se foi o general Viegas Nunes ou foi o general Nunes Viegas a fazer o que quer que seja”, mas sim “que haja um sistema de comunicações de emergência que funcione.

“Tem que haver alguém adulto na sala que garanta ao país que temos um sistema de comunicações de emergência que funciona”, ao contrário do que tem acontecido nos últimos anos, em que de cada vez que há uma calamidade o SIRESP não funciona.

Perante uma situação que se arrasta por sucessivos governos, Pureza sublinhou que “os operadores privados do SIRESP continuam a passar por esta situação sem que lhes seja assacada qualquer tipo de responsabilidade”, enquanto o país assiste a “um jogo de passa culpas” quando o que “precisa é de um sistema de comunicações de emergência e ele não funciona”.