Solidariedade com os povos em luta contra a guerra, o colonialismo e a ditadura!
Publicamos na íntegra uma tribuna do movimento: Solidariedade Socialista com os Trabalhadores do Irão.
Não à guerra de Israel e dos Estados Unidos contra os povos da região!
A administração Trump acaba de se juntar à guerra desencadeada pelo criminoso Estado colonialista de Israel contra a República Islâmica do Irão. Esta guerra está a levar o Médio Oriente à beira do precipício.
Esta guerra ilegítima e ilegal segundo o direito internacional é o resultado direto da impunidade de que Netanyahu goza. A mesma impunidade que, apesar do mandado de captura internacional contra ele emitido, lhe permite continuar o genocídio em Gaza. É esta imunidade que permite ao Estado de Israel ocupar parte do Líbano e da Síria. Invocando o “direito de se defender”, o Estado de Israel intensificou a sua contínua política de massacre dos palestinianos, culminando no genocídio.
O confronto militar entre uma potência sobre-armada, apoiada pelo seu patrocinador norte-americano, e a República Islâmica do Irão, um Estado ditatorial que se mantém há mais de 46 anos através da repressão e do terror, é um desastre para o povo.
Abrigado pelo guarda-chuva militar e político ocidental, o Estado de Israel pretende esmagar o Irão, subjugar os países vizinhos, manter o monopólio das armas nucleares e tornar-se a principal potência da região. Uma potência colonial e ocidental que dominaria países e povos desde a costa sul do Mediterrâneo até ao Estreito de Ormuz.
Netanyahu e a fuga em frente assassina
Na sua fuga em frente belicista, o governo de Benjamin Netanyahu está agora a atacar o Irão, afirmando estar a defender-se de uma hipotética ameaça nuclear. Isto apesar de o Estado de Israel não ser signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear e não prestar contas sobre o seu próprio arsenal nuclear.
Netanyahu abriu uma nova frente à medida que o seu governo se tornava cada vez mais impopular, incluindo em Israel. Lançou esta nova guerra enquanto o movimento global de protesto contra o genocídio em curso em Gaza se amplifica, que as iniciativas cidadãs e militantes para quebrar o bloqueio imposto a Gaza se têm multiplicado nos últimos tempos.
Ao atacar agora o Irão, Netanyahu está a tentar invisibilizar os crimes e o genocídio que continua a cometer em Gaza. Silenciou também os críticos que começavam a expressar-se timidamente nas chancelarias ocidentais sob pressão das mobilizações públicas.
Por fim, esta intervenção, apoiada por Trump, visa obter uma capitulação completa da República Islâmica, ou mesmo um derrube do regime, o que as negociações em torno do seu programa nuclear não teriam permitido. A divisão do Irão é mesmo temida, uma vez que a política israelo-americana visa remodelar a região.
O exército israelita bombardeia não apenas alvos militares, mas também administrações públicas, instalações e infraestruturas energéticas estratégicas, para além de civis. Os bombardeamentos de instalações nucleares por parte do Estado de Israel e dos Estados Unidos são contrários ao direito internacional. Representam um risco de danos irreversíveis do ponto de vista ambiental e humano.
Nada nem ninguém está a salvo no Irão e já há a lamentar centenas de mortes e milhares de feridos. Forçada a retaliar, a República Islâmica do Irão utiliza os seus mísseis balísticos e outros drones com uma precisão aleatória, provocando baixas civis em Israel.
Os governos que armam e apoiam Israel, começando pelos Estados Unidos e os países da União Europeia, incluindo a França, são cúmplices da expansão da agressão israelita contra o povo do Irão e de toda a região. São todos cúmplices nestes massacres em massa.
Por último, a precisão com que os membros de alto nível da Guarda Revolucionária são eliminados indica até que ponto o Estado de Israel beneficia da cumplicidade, mesmo nos níveis mais elevados da República Islâmica do Irão. Netanyahu está a apostar em certos sectores do regime islâmico, particularmente a Guarda Revolucionária, para provocar uma mudança de poder no Irão.
Cabe ao povo do Irão decidir o seu futuro!
A história mostra claramente que não há caminho para a democracia à sombra da guerra e das intervenções imperialistas. Do Iraque ao Afeganistão, não faltam exemplos de intervenções militares que levaram a desastres humanos e políticos.
A guerra provoca novas vítimas civis todos os dias, mas também ameaça igualmente a longa e corajosa luta do povo do Irão contra um regime repressivo, cujo auge mais recente foi o movimento “Mulher, Vida, Liberdade”. Nos últimos meses, as mobilizações sociais no Irão estavam numa fase crescente. Com esta guerra, Netanyahu pôs um fim temporário a esta dinâmica. Com isto, está a prestar um orgulhoso serviço à República Islâmica.
A República Islâmica do Irão é uma ditadura fundada no sangue dos seus opositores, na privação de liberdades, na repressão sistemática das mulheres e dos jovens, no esmagamento dos movimentos sociais e das aspirações nacionais.
Estamos firmemente ao lado do povo do Irão, tanto na sua contínua resistência à ditadura como no seu direito a viver livre de qualquer agressão militar estrangeira.
Em uníssono com quem luta há décadas no Irão pela liberdade, igualdade e justiça social, rejeitamos qualquer mudança de regime “a partir de cima” e através de intervenção estrangeira. O derrube da República Islâmica deve resultar apenas da luta dos povos do Irão.
Numa altura em que os Estados Unidos estão a entrar na guerra contra o Irão, é urgente que se exprimam as vozes que se opõem à conflagração generalizada e aos desastres humanos e ambientais.
Exigimos que a comunidade internacional exerça pressão para pôr imediatamente fim a esta escalada irresponsável.
O Estado de Israel e os Estados Unidos não são os únicos Estados do mundo a isentarem-se do direito internacional, mas são os únicos a fazê-lo a esta escala, sem estarem sujeitos a quaisquer sanções. Este duplo critério é um escândalo.
Afirmamos que Netanyahu e Trump são uma ameaça para o mundo.
Temos de os deter!
Exigimos, com urgência imediata:
• Fim imediato da agressão israelita e norte-americana ao Irão!
• Fim imediato da escalada bélica regional!
• Solidariedade com os presos políticos e os defensores dos direitos humanos no Irão!
• Apoio às reivindicações sociais e democráticas!
• Fim da repressão levada a cabo pela República Islâmica do Irão!
Tal como temos vindo a fazer há meses, continuamos a exigir:
• Levantamento imediato do bloqueio de Gaza e fim da colonização na Cisjordânia!
• Sanções imediatas contra Israel!
• Fim imediato de todo o comércio de armas com Israel!
• Término do acordo de associação entre a União Europeia e o Estado de Israel!
• Mobilização global para acabar com o genocídio, o apartheid e a colonização na Palestina!