Irão

Solidariedade Socialista com os Trabalhadores no Irão

24 de junho 2025 - 11:01

A guerra provoca novas vítimas civis todos os dias mas também ameaça a longa e corajosa luta do povo do Irão contra um regime repressivo, cujo auge mais recente foi o movimento “Mulher, Vida, Liberdade”. Nos últimos meses, as mobilizações sociais no Irão estavam em fase crescente. Com a guerra, Netanyahu pôs fim temporário a esta dinâmica.

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Solidariedade Socialista com os Trabalhadores do Irão.

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Mobilização pela paz no Irão
Mobilização pela paz no Irão.

Solidariedade com os povos em luta contra a guerra, o colonialismo e a ditadura!

Publicamos na íntegra uma tribuna do movimento:  Solidariedade Socialista com os Trabalhadores do Irão.


Não à guerra de Israel e dos Estados Unidos contra os povos da região!

A administração Trump acaba de se juntar à guerra desencadeada pelo criminoso Estado colonialista de Israel contra a República Islâmica do Irão. Esta guerra está a levar o Médio Oriente à beira do precipício.

Esta guerra ilegítima e ilegal segundo o direito internacional é o resultado direto da impunidade de que Netanyahu goza. A mesma impunidade que, apesar do mandado de captura internacional contra ele emitido, lhe permite continuar o genocídio em Gaza. É esta imunidade que permite ao Estado de Israel ocupar parte do Líbano e da Síria. Invocando o “direito de se defender”, o Estado de Israel intensificou a sua contínua política de massacre dos palestinianos, culminando no genocídio.

O confronto militar entre uma potência sobre-armada, apoiada pelo seu patrocinador norte-americano, e a República Islâmica do Irão, um Estado ditatorial que se mantém há mais de 46 anos através da repressão e do terror, é um desastre para o povo.

Abrigado pelo guarda-chuva militar e político ocidental, o Estado de Israel pretende esmagar o Irão, subjugar os países vizinhos, manter o monopólio das armas nucleares e tornar-se a principal potência da região. Uma potência colonial e ocidental que dominaria países e povos desde a costa sul do Mediterrâneo até ao Estreito de Ormuz.

Netanyahu e a fuga em frente assassina

Na sua fuga em frente belicista, o governo de Benjamin Netanyahu está agora a atacar o Irão, afirmando estar a defender-se de uma hipotética ameaça nuclear. Isto apesar de o Estado de Israel não ser signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear e não prestar contas sobre o seu próprio arsenal nuclear.

Netanyahu abriu uma nova frente à medida que o seu governo se tornava cada vez mais impopular, incluindo em Israel. Lançou esta nova guerra enquanto o movimento global de protesto contra o genocídio em curso em Gaza se amplifica, que as iniciativas cidadãs e militantes para quebrar o bloqueio imposto a Gaza se têm multiplicado nos últimos tempos.

Ao atacar agora o Irão, Netanyahu está a tentar invisibilizar os crimes e o genocídio que continua a cometer em Gaza. Silenciou também os críticos que começavam a expressar-se timidamente nas chancelarias ocidentais sob pressão das mobilizações públicas.

Por fim, esta intervenção, apoiada por Trump, visa obter uma capitulação completa da República Islâmica, ou mesmo um derrube do regime, o que as negociações em torno do seu programa nuclear não teriam permitido. A divisão do Irão é mesmo temida, uma vez que a política israelo-americana visa remodelar a região.

O exército israelita bombardeia não apenas alvos militares, mas também administrações públicas, instalações e infraestruturas energéticas estratégicas, para além de civis. Os bombardeamentos de instalações nucleares por parte do Estado de Israel e dos Estados Unidos são contrários ao direito internacional. Representam um risco de danos irreversíveis do ponto de vista ambiental e humano.

Nada nem ninguém está a salvo no Irão e já há a lamentar centenas de mortes e milhares de feridos. Forçada a retaliar, a República Islâmica do Irão utiliza os seus mísseis balísticos e outros drones com uma precisão aleatória, provocando baixas civis em Israel.

Os governos que armam e apoiam Israel, começando pelos Estados Unidos e os países da União Europeia, incluindo a França, são cúmplices da expansão da agressão israelita contra o povo do Irão e de toda a região. São todos cúmplices nestes massacres em massa.

Por último, a precisão com que os membros de alto nível da Guarda Revolucionária são eliminados indica até que ponto o Estado de Israel beneficia da cumplicidade, mesmo nos níveis mais elevados da República Islâmica do Irão. Netanyahu está a apostar em certos sectores do regime islâmico, particularmente a Guarda Revolucionária, para provocar uma mudança de poder no Irão.

Cabe ao povo do Irão decidir o seu futuro!

A história mostra claramente que não há caminho para a democracia à sombra da guerra e das intervenções imperialistas. Do Iraque ao Afeganistão, não faltam exemplos de intervenções militares que levaram a desastres humanos e políticos.

A guerra provoca novas vítimas civis todos os dias, mas também ameaça igualmente a longa e corajosa luta do povo do Irão contra um regime repressivo, cujo auge mais recente foi o movimento “Mulher, Vida, Liberdade”. Nos últimos meses, as mobilizações sociais no Irão estavam numa fase crescente. Com esta guerra, Netanyahu pôs um fim temporário a esta dinâmica. Com isto, está a prestar um orgulhoso serviço à República Islâmica.

A República Islâmica do Irão é uma ditadura fundada no sangue dos seus opositores, na privação de liberdades, na repressão sistemática das mulheres e dos jovens, no esmagamento dos movimentos sociais e das aspirações nacionais.

Estamos firmemente ao lado do povo do Irão, tanto na sua contínua resistência à ditadura como no seu direito a viver livre de qualquer agressão militar estrangeira.

Em uníssono com quem luta há décadas no Irão pela liberdade, igualdade e justiça social, rejeitamos qualquer mudança de regime “a partir de cima” e através de intervenção estrangeira. O derrube da República Islâmica deve resultar apenas da luta dos povos do Irão.

Numa altura em que os Estados Unidos estão a entrar na guerra contra o Irão, é urgente que se exprimam as vozes que se opõem à conflagração generalizada e aos desastres humanos e ambientais.

Exigimos que a comunidade internacional exerça pressão para pôr imediatamente fim a esta escalada irresponsável.

O Estado de Israel e os Estados Unidos não são os únicos Estados do mundo a isentarem-se do direito internacional, mas são os únicos a fazê-lo a esta escala, sem estarem sujeitos a quaisquer sanções. Este duplo critério é um escândalo.

Afirmamos que Netanyahu e Trump são uma ameaça para o mundo.

Temos de os deter!

Exigimos, com urgência imediata:

• Fim imediato da agressão israelita e norte-americana ao Irão!

• Fim imediato da escalada bélica regional!

• Solidariedade com os presos políticos e os defensores dos direitos humanos no Irão!

• Apoio às reivindicações sociais e democráticas!

• Fim da repressão levada a cabo pela República Islâmica do Irão!

Tal como temos vindo a fazer há meses, continuamos a exigir:

• Levantamento imediato do bloqueio de Gaza e fim da colonização na Cisjordânia!

• Sanções imediatas contra Israel!

• Fim imediato de todo o comércio de armas com Israel!

• Término do acordo de associação entre a União Europeia e o Estado de Israel!

• Mobilização global para acabar com o genocídio, o apartheid e a colonização na Palestina!