Solidariedade com ativistas climáticos cresce em vésperas de sentença dos estudantes

15 de dezembro 2022 - 22:38

Esta sexta-feira será conhecida a sentença dos quatro estudantes que ocuparam a Faculdade de Letras em protesto contra a indústria dos combustíveis fósseis. Dezenas de estudantes estão a acampar dentro da Faculdade de Letras na noite desta quinta-feira e haverá uma concentração na tarde de sexta.

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Foto do movimento "Fim ao Fóssil: Ocupa".

Mais de 40 estudantes voltaram a ocupar esta quinta-feira a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com uma “acampada” no local. É uma demonstração de solidariedade com os quatro ativistas detidos em novembro numa ação de ocupação nesta instituição e que serão presentes a tribunal nesta sexta-feira.

O movimento climático Fim ao Fóssil – Ocupa volta a criticar o diretor da faculdade, Miguel Tamen, porque “não aparece” e “delega todas as suas funções à polícia, que já está presente no local”, postura que mantém “mesmo após o Conselho Geral da Universidade de Lisboa ter-se oposto ao método de operações do diretor e ao ato de chamar as Forças de Segurança”.

A concentração de apoio está agendada para o Campus de Justiça, às 15h desta sexta-feira, onde participarão alunos, ativistas, pais e professores. Muitos deles estiveram entre as várias dezenas de pessoas que demonstraram o seu apoio público com uma mensagem no site “Não Estão Sozinhas”.

A ativista Matilde Alvim explicou que as iniciativas têm o mote “Quando a crise é lei, somos todas criminosas”, pretende “demonstrar que estas estudantes não estão sozinhas” e que “é uma injustiça estarem em tribunal. Não deviam ter sido detidas, e não deviam ter sido acusadas”.

“Como é possível estar a ponderar-se sequer condenar sequer alunos entre os 19 e os 22 anos por desobediência civil, quando sabemos que estamos em plena crise climática?”, questiona Matilde.

Os estudantes têm esperança que “esta ação possa influenciar quem vai tomar as decisões na sexta-feira”, e mostrar que os jovens não vão “aceitar nunca que criminalizem a luta pelo nosso presente e futuro”.

A par da carta de professores e da carta de artistas de apoio às ocupações que saíram em novembro, circula também um manifesto internacional de professores e académicos em apoio aos quatro estudantes na FLUL que estão em tribunal desde o fim de novembro, em julgamento sumário, sob a acusação de desobediência civil. Os subscritores da missiva repudiam a criminalização dos ativistas e apelam à mobilização de todas as pessoas na defesa do clima.