Os sete sindicatos dos bancários exigiram esta sexta-feira o fim dos despedimentos na banca e anunciaram uma manifestação contra o “massacre” dos trabalhadores do setor, noticia a agência Lusa.
Em comunicado conjunto, os sete sindicatos representativos dos trabalhadores bancários mostram a sua “firme oposição quanto ao injustificado e desnecessário processo massivo de destruição de postos de trabalho”.
Segundo estas estruturas, milhares de trabalhadores bancários estão a ser confrontados com propostas de rescisão por mútuo acordo (sobretudo) e reformas antecipadas. Ao mesmo tempo, dizem, fazem a “comunicação antecipada da implementação de medidas unilaterais, vulgo despedimentos coletivos”, com o objetivo de criarem “pânico e temor generalizado nos bancários de forma a que desistam de lutar pelos seus direitos”.
Os sindicatos relembram que o setor bancário português é dos mais eficientes da Europa e exigem a "suspensão imediata dos programas de redução de trabalhadores” e a “substituição das rescisões por mútuo acordo por reformas antecipadas” com uma “especial consideração nas situações de vulnerabilidade social”.
Pretendem ainda que "sejam consideradas todas as hipóteses de reconversão profissional" e que passem a ser realizadas por bancários "todas as atividades realizadas em regime de 'outsourcing' ou de trabalho temporário".
A manifestação, cuja data será divulgada em breve, servirá para “transmitir uma mensagem de indignação às instituições financeiras e governativas”.
No comunicado, pedem ainda uma reunião ao primeiro-ministro, António Costa, para apresentar as reivindicações, pretendendo ainda sensibilizar o chefe do Governo "para a contínua e acelerada erosão da classe média que afeta diretamente os mais de 60.000 bancários e suas famílias, conduzindo à evidente degradação das condições sociais e para o incremento da pobreza".
O comunicado é subscrito pelo Mais Sindicato, Sindicato de Bancários do Norte, Sindicato dos Bancários do Centro (estes três sindicatos são ligados à UGT), Sindicato Independente da Banca, Sindicato dos Quadros e Técnicos Bancários e Sindicato de Trabalhadores das Empresas do grupo Caixa Geral de Depósitos (estes três sindicatos são independentes) e Sintaf (ligado à CGTP).
Na quarta-feira, o Santander Totta comunicou aos trabalhadores um plano de reestruturação que prevê a saída de 685 pessoas através de reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo (sem acesso a subsídio de desemprego). Já o BCP implementou desde 16 de junho um plano de redução de trabalhadores, através de reformas antecipadas ou rescisões por mútuo acordo (também aqui quem sair em rescisão por acordo não acede a subsídio de desemprego).
Caso não saiam por acordo o número que consideram adequado, ambos os bancos ameaçam avançar para despedimentos.
Também o banco Montepio tem um “plano alargado” de saída de trabalhadores, através de reformas antecipadas e de rescisões de contratos de trabalho (neste banco acedem a subsídio de desemprego, pois obteve do Governo o estatuto de empresa em reestruturação), para reduzir entre 600 a 900 funcionários.
No Novo Banco, Caixa Geral de Depósitos e BPI, continuam também os processos de saídas de trabalhadores mas sem despedimento coletivo anunciado.