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BCP quer dispensar entre 800 e 1000 trabalhadores

Plano da administração do banco prevê reformas e rescisões por mútuo acordo, mas ameaça com despedimento coletivo. Processo negocial começa já e deverá estar terminado em 20 de setembro. BCP é o segundo banco, dos cinco maiores a atuar em Portugal, com plano de grande redução de postos de trabalho.
Miguel Maya, CEO do Millennium BCP, na divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2021, 17 de maio de 2021 – Foto de Tiago Petinga/Lusa
Miguel Maya, CEO do Millennium BCP, na divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2021, 17 de maio de 2021 – Foto de Tiago Petinga/Lusa

A notícia do plano de forte redução de trabalhadores do BCP foi divulgada, primeiramente, pelo Expresso. O jornal já tinha anunciado, em março passado, uma “Nova vaga de saídas na banca em 2021”, onde destacava que “Bancos já têm em marcha programas de rescisões e reformas. Em 2021, Santander e BCP vão intensificar saídas”.

O “Público” esclareceu, posteriormente, que, segundo uma fonte não oficial do BCP, o corte será de 800 a 1000 trabalhadores e o despedimento coletivo não está excluído (o BCP emprega atualmente 7.100 trabalhadores). O “Público” lembrou ainda que o Santander foi o primeiro grande banco, a atuar em Portugal, a avançar com um um plano de grande redução de trabalhadores e, simultaneamente, a ameaçar com despedimento coletivo, o que não era prática do setor bancário. E, recordava que o contrato coletivo do setor financeiro permite reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo.

CEO do BCP anuncia redução a todos os trabalhadores

Miguel Maya, CEO do Millennium BCP, enviou uma nota a todos os trabalhadores, anunciando o plano de redução de trabalhadores, as negociações e avisando que o processo negocial deve estar terminado a 20 de setembro.

Segundo a informação do CEO, o processo tem início imediato com reuniões com sindicatos, CT e Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) e que o período de adesão ao programa de reformas e rescisões decorrerá entre 16 de junho e 18 de agosto.

A referida nota ameaçava ainda que "poderá não ser passível de alcançar exclusivamente através de um programa de reformas e rescisões por mútuo acordo", pois o BCP tem um plano previsto de redução dos postos de trabalho e "vai pressupor que uma parte muito significativa das saídas sejam de funções/trabalhadores pré identificados". A informação é assim bem mais ameaçadora… e no mesmo documento adquire, mais à frente, o traço da inevitabilidade: “se não atuarmos agora – é sempre possível e há sempre motivos fáceis de identificar para procrastinar decisões – estaremos a facilitar a nossa vida no imediato e a comprometer de forma relevante o futuro do banco e dos seus trabalhadores”.

E o Novo Banco

O CEO do banco justifica o plano de redução de postos de trabalho com a digitalização, os limites às comissões, as “taxas de juro [supostamente] negativas ou muito baixas” e, claro, o Novo Banco. Tudo culpas dos clientes, “que mudam hábitos”, do Estado que limita comissões e, enfim, das ajudas que é obrigado a dar à concorrência.

E, sobre o Novo Banco, Miguel Maya afirma: “Os injustos e irrazoáveis contributos que alimentam o mecanismo de capitalização contingente do Novo Banco, nomeadamente a contribuição especial sobre a banca e os pagamentos para o Fundo de Resolução Nacional, cujas contribuições por parte do BCP se aproximam dos 50 milhões de euros por ano e, em valor acumulado, já superaram os 400 milhões”, queixa-se o CEO do BCP, acrescentando que este é um “tema ainda mais insólito quando o BCP é fortemente penalizado em benefício de um concorrente direto”.

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