A notícia do plano de forte redução de trabalhadores do BCP foi divulgada, primeiramente, pelo Expresso. O jornal já tinha anunciado, em março passado, uma “Nova vaga de saídas na banca em 2021”, onde destacava que “Bancos já têm em marcha programas de rescisões e reformas. Em 2021, Santander e BCP vão intensificar saídas”.
O “Público” esclareceu, posteriormente, que, segundo uma fonte não oficial do BCP, o corte será de 800 a 1000 trabalhadores e o despedimento coletivo não está excluído (o BCP emprega atualmente 7.100 trabalhadores). O “Público” lembrou ainda que o Santander foi o primeiro grande banco, a atuar em Portugal, a avançar com um um plano de grande redução de trabalhadores e, simultaneamente, a ameaçar com despedimento coletivo, o que não era prática do setor bancário. E, recordava que o contrato coletivo do setor financeiro permite reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo.
CEO do BCP anuncia redução a todos os trabalhadores
Miguel Maya, CEO do Millennium BCP, enviou uma nota a todos os trabalhadores, anunciando o plano de redução de trabalhadores, as negociações e avisando que o processo negocial deve estar terminado a 20 de setembro.
Segundo a informação do CEO, o processo tem início imediato com reuniões com sindicatos, CT e Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) e que o período de adesão ao programa de reformas e rescisões decorrerá entre 16 de junho e 18 de agosto.
A referida nota ameaçava ainda que "poderá não ser passível de alcançar exclusivamente através de um programa de reformas e rescisões por mútuo acordo", pois o BCP tem um plano previsto de redução dos postos de trabalho e "vai pressupor que uma parte muito significativa das saídas sejam de funções/trabalhadores pré identificados". A informação é assim bem mais ameaçadora… e no mesmo documento adquire, mais à frente, o traço da inevitabilidade: “se não atuarmos agora – é sempre possível e há sempre motivos fáceis de identificar para procrastinar decisões – estaremos a facilitar a nossa vida no imediato e a comprometer de forma relevante o futuro do banco e dos seus trabalhadores”.
E o Novo Banco
O CEO do banco justifica o plano de redução de postos de trabalho com a digitalização, os limites às comissões, as “taxas de juro [supostamente] negativas ou muito baixas” e, claro, o Novo Banco. Tudo culpas dos clientes, “que mudam hábitos”, do Estado que limita comissões e, enfim, das ajudas que é obrigado a dar à concorrência.
E, sobre o Novo Banco, Miguel Maya afirma: “Os injustos e irrazoáveis contributos que alimentam o mecanismo de capitalização contingente do Novo Banco, nomeadamente a contribuição especial sobre a banca e os pagamentos para o Fundo de Resolução Nacional, cujas contribuições por parte do BCP se aproximam dos 50 milhões de euros por ano e, em valor acumulado, já superaram os 400 milhões”, queixa-se o CEO do BCP, acrescentando que este é um “tema ainda mais insólito quando o BCP é fortemente penalizado em benefício de um concorrente direto”.