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Trabalhadores do Santander não permitirão assédio para sair, diz sindicato

As propostas de rescisão por mútuo acordo que o Santander Totta está a fazer a alguns trabalhadores são qualificadas de “assédio” pelo sindicato. Apesar de continuar a ter lucro, o banco vem reduzindo o número de trabalhadores desde 2019.
Trabalhadores do Santander não permitirão assédio para sair, diz sindicato
Fotografia de Paulete Matos.

Os trabalhadores do Santander Totta estiveram reunidos em plenário e mostraram-se receosos face à reestruturação em curso. Para o Sindicato dos Quadros e Técnicos Bancários não será permitido assédio nas propostas de rescisão.

Em declarações à agência Lusa após o plenário de trabalhadores, Paulo Marcos, presidente do Sindicato, afirmou que os trabalhadores do Santander Totta mostraram “dúvidas, receios, angústias e interrogações” perante as propostas de rescisões por mútuo acordo. O banco tem vindo a fazer estas propostas em reuniões individuais com cada trabalhador, em que além dos recursos humanos do banco está um consultor externo.

O sindicato informou-os de que qualquer decisão tem de ser efetivamente voluntária e que “assédio laboral é crime”. “Sob a capa de negociação não pode haver assédio”, afirmou o dirigente sindical. 

Em plenário terão também sido esclarecidos todos os trabalhadores para o facto de que a aceitação da proposta do Santander implica alterações a nível social e fiscal.

Os representantes dos trabalhadores explicam que o banco não divulgou o número total de trabalhadores que estão a ser convidados a sair. Porém, em contacto com os trabalhadores, concluem que são “dezenas e dezenas” os contactados nesta fase. 

Segundo apurou a agência Lusa junto de fontes sindicais, o Santander Totta está a avançar com uma primeira fase de rescisões por mútuo acordo que deverá ter lugar até ao final do ano, mas pretendem prolongar o processo até 2021. Tal como o sindicato, a Lusa não conseguiu obter junto do banco informações sobre o número de trabalhadores que estão a ser convidados a sair. 

O banco disse apenas que a sua a atuação “não sofreu alterações” e que mantém, para este ano, o “número médio de trabalhadores que saem por acordo”, ou seja, através de rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas.

Em 2019, saíram 249 trabalhadores do Santander Totta. Já no final de junho deste ano, o banco contava com 6.163 trabalhadores, menos 25 do que em final de 2019. As agências eram 491 em junho, menos 14 do que no ano anterior.

O Santander Totta tem consecutivamente apresentado lucros. No primeiro semestre deste ano, o resultado líquido foi de 172,9 milhões de euros, menos 37,3% face ao mesmo período do ano passado.

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