A Comissão Executiva do Banco Santander Portugal aprovou esta terça-feira um plano de reestruturação que implica o corte de 685 postos de trabalho, o correspondente a 11,5% do total. De acordo com o comunicado da empresa, este processo “conclui a transformação do banco no quadro de recursos humanos”.
Para convencer os trabalhadores a sair, prometem-se “as melhores condições de mercado”, o que significa reformas antecipadas para os maiores de 55 anos e uma “compensação contendo uma parcela correspondente ao montante ilíquido estimado de subsídio de desemprego” para os outros. Mas também se faz pairar, se estas não forem aceites, a ameaça de um “procedimento unilateral”, ou seja do recurso ao despedimento.
As primeiras notícias sobre este plano surgiram em janeiro. Em março, o banco concretizou o anúncio de que iria avançar para o corte de postos de trabalho com mecanismos que incluíam a possibilidade de despedimentos. Na mesma altura foi contestado o anúncio de que, apesar disso, iria distribuir dividendos aos acionistas. Sindicatos e comissão de trabalhadores protestaram e, em maio, o processo ficou “temporariamente adiado” para conversações com as estruturas representativas dos trabalhadores.
Segundo o agora anunciado, até 15 julho os trabalhadores vão começar a ser notificados e terão de responder até 19 de agosto. A administração do banco informa que os abrangidos foram “selecionados de acordo com critérios transparentes e objetivos” e são “afetos a diversas áreas dos serviços centrais e à rede comercial do banco”. Também se esclarece que estão incluídos os que “seriam abrangidos pelo procedimento unilateral iniciado em abril, que permanece assim adiado até à conclusão do plano e à verificação do respetivo grau de adesão”.
O Santander em Portugal já tinha reduzido o ano passado o quadro de pessoal em 208 trabalhadores, diminuindo o número de agências bancárias em 62. Nesse ano, os cinco principais bancos do país (CGD, BCP, Novo Banco, Santander Totta, BPI) cortaram 1.200 empregos. A redução de trabalhadores tem sido uma tendência dos vários bancos nacionais ao longo da última década. Dados do Banco de Portugal indicam que, entre 2009 e 2019, o setor foi reduzido em cerca de 13.000 trabalhadores.