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Nova vaga de redução de postos de trabalho na banca

Os maiores bancos a operar em Portugal querem fazer uma nova grande redução de trabalhadores, que poderá atingir milhares de saídas. Em 2020, nos cinco principais bancos, foram cortados cerca de 1.200 postos de trabalho.
Trabalhadores do Santander Totta manifestaram-se contra despedimento de 100 a 150 trabalhadores em 12 de maio de 2021 – Foto de Estela Silva/Lusa
Trabalhadores do Santander Totta manifestaram-se contra despedimento de 100 a 150 trabalhadores em 12 de maio de 2021 – Foto de Estela Silva/Lusa

Segundo a Lusa, os grandes bancos vão reduzir milhares de trabalhadores este ano, um processo que decorre desde a última crise mas que poderá ter em Portugal um novo pico em 2021. Os bancos BCP e Santander Totta já admitiram quererem recorrer a despedimentos.

Em dez anos, entre 2009 e 2019, a banca reduziu em Portugal 13.000 trabalhadores. No ano passado, os cinco principais bancos que operam em Portugal (CGD, BCP, Novo Banco, Santander Totta e BPI) cortaram 1.200 postos de trabalho.

BCP quer reduzir 1.000 trabalhadores

No BCP o processo já se iniciou. Na semana passada, o banco começou a contactar os trabalhadores que a administração quer que saiam, apresentando-lhes condições de rescisão: reformas antecipadas para quem tem 57 anos ou mais ou as chamadas rescisões de mútuo acordo. O BCP já ameaçou com despedimento coletivo de todas as pessoas que querem que saiam e, segundo o banco, “não aceitem o processo de negociação”.

Os sindicatos dizem que o BCP quer livrar-se de 1.000 trabalhadores e quem sair com rescisão por acordo não poderá aceder ao subsídio de desemprego. Entre 2012 e 2020, o BCP reduziu 2.000 postos de trabalho, tendo, no final de 2020, 7.013 trabalhadores.

Santander Totta também poderá despedir

No final de abril, o Santander Totta revelou que no primeiro trimestre tinham saído 68 trabalhadores e anunciou o despedimento de 100 a 150 trabalhadores, que o banco diz que as suas “funções se tornaram redundantes". Em causa estão sobretudo trabalhadores de balcões fechados a quem foi proposta a saída mas que não aceitaram, refere a Lusa. Em maio, após reuniões com sindicatos filiados na UGT, o banco decidiu adiar “temporariamente” os despedimentos.

No Santander têm-se realizado vários protestos contra os despedimentos, nomeadamente do Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos Bancários e da Comissão Nacional de Trabalhadores. No final de 2020, o Santander Totta tinha 5.980 trabalhadores.

Milhares de saídas dos principais bancos

A Lusa refere que vários dirigentes sindicais bancários disseram que preveem a saída milhares de trabalhadores, considerando que os processos poderão ser mesmo mais agressivos, com bancos a ameaçar já com despedimentos e com indemnizações propostas mais baixas.

Os bancos justificam as reduções de trabalhadores com evolução tecnológica, mudança de hábitos dos clientes (poucas idas a agências, interação à distância), fraca rentabilidade, necessidade de adaptar os custos a um negócio em mudança e melhoria da eficiência.

O banco Montepio anunciou em setembro passado o objetivo de reduzir 600 a 900 funcionários. No último trimestre de 2020 saíram 235 funcionários, 124 reformas e 111 rescisões. No final de 2020 o Montpio tinha 3.271 funcionários.

Da Caixa Geral de Depósitos (CGD) saíram 2.000 trabalhadores entre 2017 e 2020. O banco continua a aceitar rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas. Novas metas de redução de pessoal só existirão depois de aprovado o plano para 2021-2024. No final de 2020, a CGD tinha 6.583 funcionários.

O Novo Banco reduziu 2.200 trabalhadores entre 2014 e 2020, mantém abertas as propostas de reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo e, em fevereiro, anunciou pretender reduzir 750 trabalhadores até 2023. No final de 2020, o Novo Banco tinha 4.582 trabalhadores.

O BPI não tem plano de saídas, nem está e propor reformas antecipadas. No final de 2020, o banco tinha 4.622 trabalhadores.

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