Segundo a Lusa, os grandes bancos vão reduzir milhares de trabalhadores este ano, um processo que decorre desde a última crise mas que poderá ter em Portugal um novo pico em 2021. Os bancos BCP e Santander Totta já admitiram quererem recorrer a despedimentos.
Em dez anos, entre 2009 e 2019, a banca reduziu em Portugal 13.000 trabalhadores. No ano passado, os cinco principais bancos que operam em Portugal (CGD, BCP, Novo Banco, Santander Totta e BPI) cortaram 1.200 postos de trabalho.
BCP quer reduzir 1.000 trabalhadores
No BCP o processo já se iniciou. Na semana passada, o banco começou a contactar os trabalhadores que a administração quer que saiam, apresentando-lhes condições de rescisão: reformas antecipadas para quem tem 57 anos ou mais ou as chamadas rescisões de mútuo acordo. O BCP já ameaçou com despedimento coletivo de todas as pessoas que querem que saiam e, segundo o banco, “não aceitem o processo de negociação”.
Os sindicatos dizem que o BCP quer livrar-se de 1.000 trabalhadores e quem sair com rescisão por acordo não poderá aceder ao subsídio de desemprego. Entre 2012 e 2020, o BCP reduziu 2.000 postos de trabalho, tendo, no final de 2020, 7.013 trabalhadores.
Santander Totta também poderá despedir
No final de abril, o Santander Totta revelou que no primeiro trimestre tinham saído 68 trabalhadores e anunciou o despedimento de 100 a 150 trabalhadores, que o banco diz que as suas “funções se tornaram redundantes". Em causa estão sobretudo trabalhadores de balcões fechados a quem foi proposta a saída mas que não aceitaram, refere a Lusa. Em maio, após reuniões com sindicatos filiados na UGT, o banco decidiu adiar “temporariamente” os despedimentos.
No Santander têm-se realizado vários protestos contra os despedimentos, nomeadamente do Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos Bancários e da Comissão Nacional de Trabalhadores. No final de 2020, o Santander Totta tinha 5.980 trabalhadores.
Milhares de saídas dos principais bancos
A Lusa refere que vários dirigentes sindicais bancários disseram que preveem a saída milhares de trabalhadores, considerando que os processos poderão ser mesmo mais agressivos, com bancos a ameaçar já com despedimentos e com indemnizações propostas mais baixas.
Os bancos justificam as reduções de trabalhadores com evolução tecnológica, mudança de hábitos dos clientes (poucas idas a agências, interação à distância), fraca rentabilidade, necessidade de adaptar os custos a um negócio em mudança e melhoria da eficiência.
O banco Montepio anunciou em setembro passado o objetivo de reduzir 600 a 900 funcionários. No último trimestre de 2020 saíram 235 funcionários, 124 reformas e 111 rescisões. No final de 2020 o Montpio tinha 3.271 funcionários.
Da Caixa Geral de Depósitos (CGD) saíram 2.000 trabalhadores entre 2017 e 2020. O banco continua a aceitar rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas. Novas metas de redução de pessoal só existirão depois de aprovado o plano para 2021-2024. No final de 2020, a CGD tinha 6.583 funcionários.
O Novo Banco reduziu 2.200 trabalhadores entre 2014 e 2020, mantém abertas as propostas de reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo e, em fevereiro, anunciou pretender reduzir 750 trabalhadores até 2023. No final de 2020, o Novo Banco tinha 4.582 trabalhadores.
O BPI não tem plano de saídas, nem está e propor reformas antecipadas. No final de 2020, o banco tinha 4.622 trabalhadores.