Precariedade, horários excessivos, salários baixos, a não valorização da formação profissional, a intransigência das entidades patronais foram algumas das denúncias feitas por trabalhadores de várias regiões do país que se juntaram ao protesto, com início na Rua do Carmo. A iniciaativa contou com a participação de Isabel Camarinha, secretária-geral da CGTP-IN.
Em greve para reclamar a valorização da profissão e melhores salários, os trabalhadores entregaram uma moção com reivindicações ao secretário de Estado do Turismo.
“Hotéis a abarrotar e só os patrões a ganhar”
A Federação dos Sindicatos da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT) lembra que, apesar de o setor viver uma boa situação económica, “os salários e as condições de trabalho estagnaram ou diminuíram”. “A contratação coletiva não é respeitada. O setor paga salários muito baixos, a maioria dos trabalhadores são precários, os horários são longos e instáveis, o trabalho ao fim de semana, o trabalho nos feriados, o trabalho por turnos e os horários repartidos não são devidamente valorizados, detalha a FESAHT.
Aumentos salariais, redução dos horários de trabalho e estabilização dos mesmos, respeito pelo direito de negociação coletiva, integração no quadro de todos os precários, trabalho ao fim de semana com um acréscimo de 50% sobre a retribuição normal, pagamento do trabalho nos feriados com acréscimo de 200% e dois dias de descanso semanal seguidos são algumas das reivindicações destes profissionais.
“Condições laborais e salariais têm de ser profundamente alteradas”
Isabel Pires também esteve presente no protesto em solidariedade com os trabalhadores e as trabalhadoras em luta.
A deputada bloquista lembrou que este é um “setor de atividade da economia que o Governo tem louvado permanentemente” e lamentou que, apesar do recorde de receitas atingido em 2022, que é expectável que se repita ou seja ultrapassado em 2023, os lucros continuem a não chegar às mãos “de todas as pessoas que trabalham com salários próximos ou iguais ao salário mínimo”. E, no caso dos estagiários, a receber apenas 80% do salário mínimo.
Isabel Pires destacou que, “por todo o setor do Turismo, continuamos a não ter condições de trabalho dignas, salários dignos”.
Enfatizando que o Bloco considera que “é muito importante a luta dos trabalhadores”, a deputada assinalou que o Parlamento deve fazer pressão para que as condições laborais e salariais no setor sejam “profundamente alteradas”.
“Sem profundas alterações, setor do Turismo vai ser absolutamente insustentável”, alertou, defendendo que é preciso valorizar os trabalhadores.