A quinzena de luta dos trabalhadores da hotelaria começou esta segunda-feira e prolonga-se até ao próximo dia 28, data na qual haverá uma greve nacional do setor e uma concentração junto à porta da Secretaria de Estado do Turismo.
O calendário das mobilizações começou com concentrações em frente a sete unidades hoteleiras do Porto com Francisco Figueiredo, dirigente da Federação dos Sindicatos da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal, a explicar à TSF que se luta contra os “salários miseráveis” com “alguns trabalhadores, de entrada,” a receber “abaixo do salário mínimo” por causa da redução prevista para aprendizes, estagiários e praticantes de que os patrões se “aproveitam”, acrescenta em declarações à SIC. Uma realidade que está longe dos lucros de um setor que “está num crescimento enorme”. Assim, “não há nenhuma razão para as empresas não pagarem salários dignos aos trabalhadores”, defende o sindicalista.
Os trabalhadores pretendem ainda que se respeitem as cargas horárias estabelecidas, havendo “trabalhadores que trabalham 12 ou 14 horas diárias”, ao que acresce “a instabilidade dos horários” com empresas que “alteram todas as semanas os horários e os trabalhadores não conseguem organizar a sua vida pessoal e familiar”.
A FESAHT aproveitou a ocasião ainda para acusar o maior grupo do setor de desrespeito à contratação coletiva porque os feriados não estão a ser pagos e o direito à alimentação em espécie não é cumprido. Francisco Figueiredo conta que este é “um direito centenário”: no caso do grupo Pestana, "eles oferecem sopa e fruta e depois oferecem os restos que sobram da comida dos clientes. O grupo Pestana pode dar o subsídio de alimentação, mas também tem de garantir o direito à alimentação em espécie”, vincou.
Também o Governo é criticado por “lavar as mãos da situação”, estando os trabalhadores “completamente ao abandono” e sublinha-se que a Autoridade para as Condições do Trabalho “tem a obrigação de acordo com as suas competências de intervir no setor”.