INEM

“Saúde dos portugueses está comprometida por causa de uma gestão desastrosa”

07 de janeiro 2026 - 15:13

A morte de um homem no Seixal após três horas de espera por socorro do INEM levantou críticas sobre novo sistema de triagem. Fabian Figueiredo diz que ninguém compreende que Ana Paula Martins ainda esteja à frente do Ministério da Saúde.

PARTILHAR
ambulância do INEM
Foto de Paulete Matos

Um homem de 78 anos vítima de uma queda no Seixal esteve três horas à espera de socorro do INEM e acabou por falecer, encontrando-se em paragem cardiorrespiratória quando a ambulância finalmente chegou. O novo presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, diz que isso se ficou unicamente a dever à falta de ambulâncias disponíveis, mas o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar admite que o novo sistema de triagem do INEM, que funciona há poucos dias, posa ter tido influência no desfecho.

"Provavelmente contribuiu porque, consoante a prioridade que lhe foi atribuída, poderia ser enviado o meio até 60 minutos. Por isso, até aí não me espanta que não tenha havido procura de meios para serem enviados", afirmou o presidente do STEPH, Rui Lázaro, citado pela agência Lusa. O dirigente sindical acrescentou que “se o novo sistema não tivesse sido implementado, assim que a ocorrência foi criada [11:20], já se procuraria uma ambulância para ser enviada". O novo sistema de triagem no atendimento das chamadas para Centro Operacional de Doentes Urgentes prevê cinco níveis de prioridade (emergente, muito urgente, urgente, pouco urgente e não urgente).

Segundo a fita do tempo, a vítima de segunda-feira tinha dado uma queda, mostrando-se agitado, confuso, sonolento e prostrado. Foi classificada como prioridade 3 (urgente), com tempo de resposta de 60 minutos. Às 13h29 houve outra chamada a questionar à demora e às 14h05 uma terceira chamada para alertar para a paragem cardiorrespiratória. A viatura médica foi enviada às 14h09.

O Bloco de Esquerda questionou o Ministério da Saúde sobre os atrasos na prestação de socorro pelo INEM, referindo as críticas de bombeiros e técnicos de emergência pré-hospitalar ao novo sistema de triagem e defendendo que “tem de ser colocado em causa e revisto”.

"A degradação do INEM é de enorme preocupação porque coloca em causa o socorro à população”, refere o documento dirigido a Ana Paula Martins, acrescentando que  o atendimento de chamadas e acionamento de meios deveria ser feito numa "questão de segundos" e não numa questão de horas.

Para o deputado bloquista Fabian Figueiredo, “a Saúde em Portugal está um caos e há uma responsabilidade política que se arrasta ao longo de anos. As portuguesas e portugueses não compreendem como é que Ana Paula Martins continua à frente do Ministério da Saúde”.

“Nós estamos a falar da saúde dos portugueses que está comprometida por causa de uma gestão desastrosa”, sublinhou o deputado do Bloco.