Um homem de 78 anos vítima de uma queda no Seixal esteve três horas à espera de socorro do INEM e acabou por falecer, encontrando-se em paragem cardiorrespiratória quando a ambulância finalmente chegou. O novo presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, diz que isso se ficou unicamente a dever à falta de ambulâncias disponíveis, mas o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar admite que o novo sistema de triagem do INEM, que funciona há poucos dias, posa ter tido influência no desfecho.
"Provavelmente contribuiu porque, consoante a prioridade que lhe foi atribuída, poderia ser enviado o meio até 60 minutos. Por isso, até aí não me espanta que não tenha havido procura de meios para serem enviados", afirmou o presidente do STEPH, Rui Lázaro, citado pela agência Lusa. O dirigente sindical acrescentou que “se o novo sistema não tivesse sido implementado, assim que a ocorrência foi criada [11:20], já se procuraria uma ambulância para ser enviada". O novo sistema de triagem no atendimento das chamadas para Centro Operacional de Doentes Urgentes prevê cinco níveis de prioridade (emergente, muito urgente, urgente, pouco urgente e não urgente).
Segundo a fita do tempo, a vítima de segunda-feira tinha dado uma queda, mostrando-se agitado, confuso, sonolento e prostrado. Foi classificada como prioridade 3 (urgente), com tempo de resposta de 60 minutos. Às 13h29 houve outra chamada a questionar à demora e às 14h05 uma terceira chamada para alertar para a paragem cardiorrespiratória. A viatura médica foi enviada às 14h09.
O Bloco de Esquerda questionou o Ministério da Saúde sobre os atrasos na prestação de socorro pelo INEM, referindo as críticas de bombeiros e técnicos de emergência pré-hospitalar ao novo sistema de triagem e defendendo que “tem de ser colocado em causa e revisto”.
"A degradação do INEM é de enorme preocupação porque coloca em causa o socorro à população”, refere o documento dirigido a Ana Paula Martins, acrescentando que o atendimento de chamadas e acionamento de meios deveria ser feito numa "questão de segundos" e não numa questão de horas.
Para o deputado bloquista Fabian Figueiredo, “a Saúde em Portugal está um caos e há uma responsabilidade política que se arrasta ao longo de anos. As portuguesas e portugueses não compreendem como é que Ana Paula Martins continua à frente do Ministério da Saúde”.
“Nós estamos a falar da saúde dos portugueses que está comprometida por causa de uma gestão desastrosa”, sublinhou o deputado do Bloco.