Médicos denunciam “abandono político” da urgência do Hospital Amadora-Sintra

07 de janeiro 2026 - 12:22

Numa das primeiras noites de janeiro havia apenas um médico na área ambulatória da urgência sobrelotada. Sindicato diz que não se tratou de uma falha imprevista, mas sim da escala previamente definida com o conhecimento da administração.

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Ana Paula Martins.
Ana Paula Martins ainda não substituiu a adminitração demissionária do Amadora-Sintra

Na noite de 2 para 3 de janeiro, entre a meia noite e as oito da manhã, esteve apenas um médico na zona do ambulatório das urgências do Hospital Amadora-Sintra, onde ao início da noite circulavam 179 doentes, além dos mais de 60 internados para observação. “A gravidade e repetição destas situações levaram à demissão da chefe e da subchefe da equipa da Urgência Geral, numa decisão que reflete o limite ético e profissional atingido”, diz o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) em comunicado.

Nessa noite os tempos de espera atingiam “níveis inaceitáveis”, prossegue o sindicato, apontando que “os doentes triados como laranja aguardavam mais de 6 horas pela primeira observação médica e os doentes amarelos ultrapassavam as 20 horas de espera, numa situação claramente incompatível com cuidados de saúde seguros e atempados”.

O SMZS acrescenta que a situação “era do conhecimento do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra. Não se tratou de uma falha imprevista, mas sim da escala previamente definida, sem que tenha sido tomada qualquer medida para prevenir ou corrigir uma situação anunciada, mesmo num contexto de pico sazonal da gripe”. E conclui que “esta inação traduz uma grave incapacidade de gestão e um desrespeito pelos profissionais e pelos utentes”, além de um “abandono político da urgência do Hospital Amadora-Sintra”.

A administração do hospital está demissionária desde novembro, assumindo a responsabilidade por falhas no acompanhamento de uma grávida que acabou por morrer, tal como o seu bebé, após a ministra ter prestado informações erradas aos deputados sobre o caso. Antes os pedidos para a sua demissão, Ana Paula Martins aceitou a demissão da administração da ULS mas ainda não a substituiu, “deixando uma das maiores unidades hospitalares do país sem liderança efetiva”, conclui o sindicato.