Espanha

Sánchez responde à manif pela habitação com apoios à renda, esquerda discorda

15 de outubro 2024 - 12:56

Depois da grande manifestação em Madrid contra o aumento das rendas e a especulação imobiliária, o governo espanhol recuperou o apoio de 250 euros para 66 mil jovens que tinha concedido em 2022. Sumar diz que são "remendos" e Podemos defende controlo de rendas e proibição da compra de casa para especulação.

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Manifestação em Madrid pelo direito à habitação
Manifestação em Madrid pelo direito à habitação. Foto Stop Desahucios Móstoles/X

Este domingo várias gerações de madrilenos saíram à rua e fizeram-se ouvir ao som das chaves de casa a tilintar e palavras de ordem contra o aumento das rendas e a especulação que expulsa os habitantes da capital espanhola. Ouviram-se pedidos de demissão da ministra da Habitação e até ameaças de greve ao pagamento das rendas, caso estas continuem a subir.

Esta terça-feira o governo responde à mobilização e vai anunciar o regresso de uma medida já ensaiada em 2022: o apoio de 250 euros mensais a jovens até 35 anos com rendimento mensal inferior a 1.800 euros. Uma medida anunciada pelo primeiro-ministro na segunda-feira, avaliando-a em 200 milhões de euros e que prevê abranger 66 mil jovens, mas cuja aplicação dependerá das Comunidades Autónomas, a maioria nas mãos do PP, o que há dois anos deixou muita gente à espera de receber o apoio, pois algumas comunidades não chegaram a executar toda a verba de que dispunham.

Mas a medida está a dividir o próprio Governo, com o parceiro minoritário do Sumar a criticar a política de “remendos” e a defender que é preciso ir mais longe. “Não vamos solucionar este problema concedendo dinheiro aos rentistas ou em forma de ajudas”, afirmou a vice-presidente do executivo Yolanda Díaz. O Sumar alertou os parceiros de governo do PSOE que essas ajudas podem contribuir mesmo para agravar o problema da habitação, com o atual porta-voz e ministro da Cultura, Ernest Urtsasun, a afirmar que esta crise não se resolve com “remendos nem meias tintas”, criticando a resposta “insuficiente” da ministra Isabel Rodriguez com estes apoios aos jovens e o regulamento para combater as fraudes no arrendamento de curta duração. Por seu lado, os socialistas respondem que este apoio jovem está inscrito no acordo de Governo que as duas forças políticas assinaram.

Para o Sindicato das Inquilinas e Inquilinos de Madrid, um dos promotores da marcha de domingo, o anúncio de Sánchez mostra que “o Governo deu ouvidos... aos rentistas. Este tipo de ajuda, sem baixar as rendas e sem pôr em causa a propriedade, vai para os do costume. Nós não vamos parar: queremos uma redução imediata para 50% ou fá-lo-emos nós próprios. Para nós é evidente, só nos resta a organização”.

Fora do executivo, o Podemos critica a “inação” e a “falta de vontade política” do Governo face à emergência habitacional que se vive no país e defende medidas que vão mais longe nessa resposta, como a intervenção pública no mercado de arrendamento para baixar o preço das rendas e a proibição da venda de casas para especular, travando os fundos de investimento que tomaram conta de boa parte do parque habitacional nas cidades espanholas. São medidas que “poderiam ser aprovadas hoje mesmo se tivessem vontade política para o fazer, mas este Governo não tem intenção nenhuma de pôr travão à especulação”, acusou Pablo Fernández, porta-voz do Podemos.

Estas são medidas que o Sumar também defendeu e que agora volta a insistir, defendendo que a habitação seja o “eixo central” do Orçamento para 2025. Este partido quer também ver aplicado o controlo de rendas inscrito na lei da habitação a todo o território e até condicionar a entrega dos fundos públicos destinados à habitação às comunidades autónomas que não o apliquem às zonas designadas “sob tensão”. Até agora apenas a Catalunha fez uso deste instrumento e os primeiros resultados indicam que os preços das rendas nessas zonas pararam de subir. Mas ao mesmo tempo a forte diminuição dos novos contratos sugere que muitos senhorios passaram as casas para os falsos arrendamentos de curta duração para contornar a limitação no aumento das suas rendas.