No final de uma reunião esta sexta-feira com a Associação Cultural de Músicos do Stop e a Associação Alma, que representam a maioria das várias centenas de músicos que ensaiam nas lojas do centro comercial STOP, a Câmara do Porto anunciou a reabertura do espaço que encerrou na terça-feira com o recurso à polícia.
A reabertura das lojas, acrescenta a autarquia, será “de forma temporária e condicionada”, e com horário de funcionamento entre as 10h30 e as 22h30. Para colmatar as deficiências apontadas no espaço quanto à prevenção de incêndios, à porta do STOP estará um piquete do Regimento de Sapadores Bombeiros do Porto enquanto a Câmara não instalar “medidas excepcionais de mitigação de risco” de incêndio, afirmou Rui Moreira aos jornalistas, citado pelo Público.
O recuo do autarca surge após a contestação dos músicos e do meio cultural do Porto e do país. O próximo passo é a concentração marcada para segunda-feira às 15h em frente à Câmara, que o plenário conjunto das duas associações decidiu manter. Bruno Costa, da Associação Alma STOP, defende que a concentração se deve manter e disse à Lusa que a proposta “ainda tem de ser analisada com cuidado”. Se as questões de segurança do edifício parecem bem encaminhadas, o horário de funcionamento terá de ser revisto por causa das cargas e descargas, "pois a maioria das atuações é à noite e, por esse motivo, há que levar as coisas para o local no final dos concertos”. Também Rui Guerra, da Associação Cultural de Músicos do Stop, vê com bons olhos o recuo da Câmara e a reabertura do espaço nos próximos dias. "Muitos de nós estamos parados por falta de condições para ter o material, e esta situação permite-nos reabrir as salas e recomeçar em breve a trabalhar”, admitiu o dirigente.
Vereador do Bloco propõe prioridade da Câmara à manutenção do STOP
A ameaça do fim do STOP concretizada na terça-feira vai a debate na segunda-feira no executivo municipal, com o vereador do Bloco a levar a proposta de reabertura do espaço e que a autarquia "assuma como prioridade a manutenção do Centro Comercial STOP como Pólo cultural, habitado pelos agentes culturais que são os seus atuais arrendatários e proprietários", mobilizando os seus recursos técnicos para garantir o licenciamento e a execução de projetos para manter aquele espaço. A proposta bloquista inclui ainda a realização de uma reunião da autarquia com o Ministério da Cultura e a CCDR-Norte "para os envolver na resolução técnica e financeira desta questão, e declarar o edifício como de utilidade pública". E por fim, defende a criação de uma comissão de acompanhamento formada pela administração do condomínio, os proprietários, os músicos (organizados e/ou individualmente) e as forças políticas com representatividade no município.
Para a deputada municipal bloquista Susana Constante Pereira, o recuo de Rui Moreira mostra que "o que aconteceu na 3ª feira era evitável", tal como "os últimos anos de processo infindável em torno do STOP. Mas insiste que "há várias questões que ainda merecem resposta e todo um processo que garanta a manutenção do Centro Comercial STOP como pólo cultural, habitado pelos agentes culturais que são seus atuais arrendatários e proprietários".
Agora, cabe ao executivo de Rui Moreira "converter o enorme consenso em torno da importância do STOP em prioridade política, tal como fez com o Mercado do Bolhão ou o Cinema Batalha, também em resultado do movimento cidadão", conclui Susana Constante Pereira.
Também o deputado bloquista José Soeiro reagiu nas redes sociais ao que chamou um "recuo em toda a linha" de Moreira, dizendo que "afinal, parece que bastava um carro de bombeiros e definir um horário para que a ação extremista de Moreira contra os músicos do Stop não tivesse pretextos possíveis".
"Tivessem outras vítimas deste executivo a mesma voz coletiva e o mesmo poder de fogo mediático que felizmente os músicos do Stop tiveram e muitas das barbaridades de Moreira (na cultura, na habitação e nos bairros populares, na especulação imobiliária e na destruição do património) poderiam ter sido revertidas", prossegue Soeiro, sublinhando que "a mobilização é a força dos mais fracos e sem capacidade de protesto estamos sempre mais desprotegidos".
Notícia atualizada após o plenário de sexta-feira com a informação de que se mantém a concentração de segunda-feira à 15h em frente ao StTOP.